Solidariedade aos jovens do Centro Cultural São Paulo
Está marcada para 22 de setembro, às 14h30, no Fórum da Barra Funda, a audiência de julgamento dos 18 jovens que foram presos em 4 de setembro do ano passado, no Centro Cultural São Paulo, sob a acusação de associação criminosa e corrupção de menores. Na ocasião, o grupo pretendia participar de manifestação pelas Diretas, que teria lugar na Avenida Paulista, mas os jovens foram apreendidos pela Polícia Militar, pouco antes do evento.
Na próxima quarta-feira (13), às 19h, representantes de movimentos sociais vão se reunir na Câmara Municipal de São Paulo, para organizar ações de solidariedade aos 18 jovens, mobilizar para a manifestação pública de 22 de setembro, às 14h, em frente ao Fórum da Barra Funda, e ampliar a campanha de solidariedade nas redes sociais.
Para lembrar o caso
Vinte e dois jovens haviam marcado um encontro pelas redes sociais para participar da manifestação por Diretas Já na Avenida Paulista no dia 4 de setembro de 2016, dias depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Pouco antes da manifestação, um dos integrantes do grupo — posteriormente identificado como agente infiltrado das Forças Armadas — sugeriu aos demais que se dirigissem ao Centro Cultural São Paulo, onde foram cercados por policiais militares e encaminhados ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Impedidos de contatar advogados e familiares, os jovens foram qualificados e submetidos a inquérito policial. Os 18 maiores acabaram indiciados por associação criminosa e corrupção de menores, ao passo que os três adolescentes menores receberam o tratamento legal previsto pelo ECA. Já o 22° do grupo — o agente infiltrado —, além de ter tido seu inquérito arquivado, foi promovido a major.
Ameaça ao Estado democrático de direito
A Contee reforça a importância da mobilização em solidariedade aos 18 jovens, uma vez que a decisão da Justiça de São Paulo em acatar denúncia do Ministério Público Estadual representa não só mais uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais como também um cerceamento ao direito de livre manifestação e um ataque direto ao Estado democrático de direito. O Grupo de Solidariedade aos Jovens do Centro Cultural São Paulo convoca um repúdio contundente à ação por parte da sociedade civil e dos organismos de defesa à democracia e aos direitos humanos.
Por Táscia Souza, com informações do Grupo de Solidariedade aos Jovens do Centro Cultural São Paulo e do G1





