‘Temos que comemorar’, afirma geógrafo sobre entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos

Apesar da boa notícia, há uma preocupação: os Estados Unidos e outros países não assinaram o acordo

Depois de mais de 20 anos de negociações, está em vigor o Tratado Global dos Oceanos, também chamado de Tratado do Alto Mar. O documento pretende garantir a proteção e o uso sustentável da biodiversidade marinha nos espaços fora das jurisdições nacionais dos países. Na prática, isso abrange metade das áreas oceânicas do planeta.

Até a assinatura do termo, todas as áreas distantes mais de 370 quilômetros das costas dos países estavam completamente desprotegidas. A partir de agora, passam a valer medidas de curto e longo prazo voltadas para a contenção da crise climática.

Um acordo desse nível é motivo de celebração, especialmente no atual cenário político internacional, na avaliação do geógrafo Wagner Ribeiro, professor da pós-graduação em Ciência Ambiental da Universidade de São Paulo (USP).

“Temos que comemorar. Nessa conjuntura onde o multilateralismo está sendo atacado fortemente, ter um documento como esse aprovado e implementado é algo muito expressivo. É preciso comemorar a vitória política de fazer esse documento entrar em vigor”, disse Ribeiro em entrevista ao jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, nesta quarta-feira (21).

O especialista explica que o instrumento vai permitir o monitoramento das águas oceânicas. Cada país signatário deve desenvolver mecanismos próprios de precaução nas águas internacionais, que devem ser seguidos pelas embarcações.

“Essa porção do planeta Terra estava desregulamentada. Não havia nenhum tipo de norma para usufruir dessas águas, como por exemplo lavagem de tanques de petroleiros nessas águas, descartes de materiais, abandono de embarcações”, listou.

Apesar dos avanços, o tratado não conta com assinaturas de alguns países relevantes no cenário internacional das navegações, como Índia, Reino Unido e Rússia. Sem surpresas, os Estados Unidos de Donald Trump também integram a lista.

“Isso gera muita preocupação, pois é um país que tem um peso político importante. Eles estão dizendo: ‘Não vamos seguir essas normas, isso não vai nos afetar’. Isso é preocupante, porque é um país que movimenta muitos navios, de guerra e comerciais”, alertou Ribeiro.

Editado por: Maria Teresa Cruz

Fonte
Brasil de Fato

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