Trabalho digno é a verdadeira política de saúde

Nesta terça-feira (7 de abril), celebramos o Dia Mundial da Saúde. Comemorado no dia da fundação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a data tem como objetivo mobilizar ações e conscientizar a população sobre temas ligados à saúde global.

Em um momento em que o Brasil enfrenta uma crise de saúde mental – com recorde de 472 mil afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão em 2024, um aumento superior a 60% em relação ao ano anterior – falar do tema é fundamental. Especialistas apontam a precarização do trabalho como causa dessa “epidemia”.

É dentro desse debate que se dá a luta pela aprovação, no Congresso Nacional, do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução salarial.  A luta contra a pejotização irrestrita, em debate no Supremo Tribunal Federal, também está na ordem do dia. Reduzir a exploração é a medida de saúde pública mais eficaz que existe.

A sobrecarga e as longas jornadas têm sido a causa de um adoecimento estrutural. Imposição de metas abusivas, horas extras extensas e a necessidade de estar sempre “disponível”, mesmo à distância, aumentam os casos de burnout, ansiedade, depressão, distúrbios do sono entre outras doenças relacionadas ao ambiente laboral. O excesso de trabalho impede que trabalhadores e trabalhadoras possam ter momentos de lazer, de descanso e, consequentemente, de recuperação física e mental.

Aliado a isso, a precarização dos direitos trabalhistas – cada vez mais atacados – deixa a população à própria sorte. Para os trabalhadores “pejotizados”, “empreendedores” e afins, não há garantia de renda em caso de doença, não há férias, aposentadoria, piso salarial ou qualquer segurança. Sobram as incertezas e a necessidade de trabalhar o máximo de horas possível para garantir a sobrevivência.

Promover a saúde do trabalhador pressupõe trabalho digno e salário decente. É uma questão política e econômica que exige a luta por menos horas, mais direitos, salário justo, respeito e poder de organização. Enquanto isso não for a regra, a “saúde do trabalhador” continuará sendo um campo de batalha entre o capital (que quer corpos produtivos a qualquer custo) e a classe trabalhadora (que quer viver com dignidade, não apenas sobreviver para trabalhar).

Por Andressa Schpallir

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
666filmizle.site