Universidades da China superam Harvard e dominam lista de melhores do mundo
Casas de estudo do país ocupam sete das dez posições do CWTS Leiden Ranking, com os dois primeiros lugares
O Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia (CWTS) da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, divulgou há poucos dias sua mais recente versão do ranking global das universidades, com a presença de duas universidades chinesas nos dois primeiros lugares, superando a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, que aparece em terceiro lugar.
Nesta nova edição do Leiden Ranking, a primeira posição é da Universidade de Zhejiang, no sudeste da China. O segundo lugar é da Universidade Jiao Tong, na cidade de Xangai, também no sudeste chinês.
Além dos dois primeiros lugares, as universidades chinesas ocupam outras cinco posições no top 10 do ranking: do quarto lugar até o oitavo, aparecem as universidades de Pequim Fudan, Tsinghua, Hefei (Universidade de Ciência e Tecnologia da China) e Nanjing.
Os dois últimos lugares do top 10 são de instituições dos Estados Unidos: o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, por sua sigla em inglês) e a Universidade da California (Berkeley).
O Brasil se destaca na lista pela presença da Universidade de São Paulo (USP) no 17º lugar, que a coloca entre as poucas instituições não chinesas que ocupam os 20 primeiros lugares.
Vale destacar que o Leiden Ranking se baseia exclusivamente na produção científica, artigos e reviews indexados na Web of Science e não incorpora critérios como reputação acadêmica, prestígio entre empregadores, internacionalização formal, proporção de estudantes estrangeiros, prêmios individuais ou percepção da qualidade do ensino, razão pela qual o modelo é considerado imune à influência de variáveis simbólicas ou mercadológicas.
Causas
Segundo o jurista e cientista político Hugo Albuquerque, o atual cenário de hegemonia das universidades chinesas é o resultado de “um brutal investimento feito desde a Revolução de 1949 para formar pessoas que pudessem construir o país, e isso nunca parou”.
“Esse enorme investimento estatal aconteceu principalmente no âmbito das ciências exatas e da tecnologia, e onde podemos ver uma evolução muito grande. Também houve muito investimento nas ciências humanas, mas não tanto quanto nas ciências exatas e na tecnologia. E é óbvio que isso fez parte de um projeto de construção de um país, de uma superpotência”, analisou Albuquerque.
Estados Unidos
O jurista também falou sobre as informações que Leiden Ranking traz sobre os Estados Unidos. Para ele, a lista reflete “uma crise nas universidades norte-americanas”, que levaram as mesmas a perderem protagonismo a nível mundial.
Sobre as causas dessa crise, Albuquerque cita o “custo muito alto e a desvinculação das universidades de um projeto de país que, na verdade, não existe”.
“Hoje, há uma divisão hoje nos Estados Unidos sobre o que é o projeto de país. O Partido Republicano, que está no poder, nega a importância das ciências, da tecnologia, do esclarecimento de um modo geral. Então, acredito que isso prejudique o desenvolvimento universitário norte-americano”, acrescenta.
Albuquerque lembra dos ataques feitos por Trump contra as universidades, em seus discursos, durante o primeiro ano do seu atual mandato presidencial.
“Por mais que elas (universidades) gozem de autonomia, essa postura (de Trump) cria um cenário de impasse, porque não há um debate entre dois projetos de país que envolva dois modelos de civilização. O que há nos Estados Unidos é uma disputa entre um projeto dominado pelas ideias do neoliberalismo e outro pelas ideias do fascismo, que nega o papel central da educação, da ciência, desses aspectos nos quais os chineses investem bastante”, completa o jurista.
Editado por: Opera Mundi
Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi





