Pandemia gerou insegurança e excesso de trabalho nas escolas privadas

Foram apresentados, na tarde de sexta-feira, 4, os primeiros resultados da pesquisa Docência nas Escolas Privadas de Educação Básica em Tempos de Pandemia, realizada pelo Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho Docente da Universidade Federal de Minas Gerais – GESTRADO/UFMG, em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee. “Uma situação dramática. Professores da rede privada estão adoecidos, estão coisificados, tornados coisas. Isso repercute nos alunos, que tiveram diminuída a intervenção na relação de aprendizado”, afirmou o coordenador-geral licenciado da Contee, Gilson Reis, no debate realizado na rede social, mediado por Deise Rosálio (UFMG).

A professora Lívia Fraga (UFMG) apresentou alguns dados da coleta, realizada entre 20 de julho e 21 de agosto, que teve por objetivo conhecer os efeitos da pandemia entre os envolvidos no ensino privado. “Das 2.934 respostas válidas, 76% foram dadas por mulheres e quase 75% vieram da educação básica regular”, explicou, destacando que mais de 88% dos profissionais não tinham experiência anterior com ensino remoto e que quase 18% têm dificuldade com tecnologias digitais.

Sâmara Araújo (UFMG) informou que 32% das pessoas que responderam aos questionários tiveram formação com ferramentas digitais por iniciativa própria; 30% tiveram acesso a tutorial on-line e apenas 16,8% receberam formação fornecida pelo empregador. “A jornada de trabalho aumentou, segundo apontaram 92% das respostas, com a preparação de atividades, interação com estudantes etc. e 23% dos alunos diminuíram a participação nas atividades escolares”, relatou, mencionando que 23% dos professores se confessaram angustiados; 30%, amedrontados e inseguros e só 19% se consideraram tranquilos em suas relações de trabalho durante a pandemia.

Gilson testemunhou que “o setor privado aptou pelo trabalho remoto desde março, colocando para os professores a necessidade de assumir aulas à distância, sem que recebessem a formação necessária – enquanto muitas escolas públicas não optaram pelo trabalho remoto. Os profissionais do ensino enfrentaram o desafio e as dificuldades. Os professores estão apreensivos, preocupados com a falta de experiência com o trabalho remoto – a própria formação dos professores ainda não leva em conta essas novas tecnologias de ensino. Os trabalhadores estão preparando suas aulas pela madrugada, para garantir o ensino dos alunos. Uma volta à situação primitiva do capitalismo, de jornada de 12h, 16h diárias – e as mulheres, maioria da categoria, ainda têm os desafios das atividades domésticas, voltadas à família, aos filhos”.

Valéria Morato, presidenta do Sindicato dos Professores de Minas (SINPRO-MG), explicou que “isso ocorre quando há uma ofensiva governamental contra os direitos trabalhistas. A qualidade do ensino, na relação de educação, que é social, é de contato, de interações na sala de aula, foi afetada.

Professoras e professores viraram youtubers, da noite para o dia, sem que fossem preparados para tal. Aos profissionais dos estabelecimentos privados de ensino não foi dado tempo algum para se preparem. Tiveram que investir, do próprio bolso, em aumento da banda de internet, em equipamentos para garantir as aulas; a casa do professor virou sala de aula. Estão exaustos, inseguros – às vezes têm que gravar 16 vezes uma aula para garantir rigor no conteúdo apresentado”.

Assista ao debate aqui:

Os dados da pesquisa podem ser consultados aqui

Carlos Pompe

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