8 de março: igualdade não é concessão, é direito conquistado

No Dia Internacional da Mulher, a sociedade é chamada a encarar a realidade de milhões de mulheres em todos os espaços sociais. Apesar dos avanços das últimas décadas, persistem desigualdades estruturais no mercado de trabalho, na divisão do cuidado e na efetivação de direitos fundamentais.

Dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE, indicam que as mulheres seguem recebendo, em média, rendimentos inferiores aos dos homens no mercado de trabalho brasileiro, mesmo apresentando maior escolaridade. A desigualdade salarial permanece como uma das principais pautas do movimento de mulheres e do Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras. Soma-se a isso a sobrecarga do trabalho doméstico e do cuidado, que ainda recai majoritariamente sobre elas, limitando oportunidades e aprofundando assimetrias históricas.

A violência de gênero é uma das faces mais brutais dessas desigualdades. Combater o feminicídio e todas as formas de agressão contra as mulheres é uma tarefa urgente. Não existe democracia real quando mulheres vivem com medo, têm sua autonomia ameaçada ou precisam lutar diariamente para garantir o básico: segurança e dignidade.

E esse não é um problema apenas brasileiro. A Organização das Nações Unidas classificou a violência contra mulheres e meninas como uma emergência global. Em 2024, cerca de 50 mil mulheres foram assassinadas no mundo, muitas dentro de suas próprias casas. Se a desigualdade e a violência atravessam fronteiras, também exigem respostas estruturais e permanentes.

É nesse cenário que a educação se afirma como espaço estratégico de transformação. Na educação básica brasileira, as mulheres são maioria. De acordo com o Censo Escolar, representam cerca de 80% do total de docentes. Na educação infantil, ultrapassam 95%. Nos anos iniciais do ensino fundamental, superam 85%, além de ocuparem presença significativa na direção das escolas.

O funcionamento diário das instituições de ensino conta majoritariamente com o trabalho de mulheres. São professoras, coordenadoras, orientadoras, diretoras e funcionárias que garantem, com dedicação e responsabilidade, o andamento das escolas públicas e privadas em todo o país. Ainda assim, a presença expressiva não elimina os desafios relacionados à valorização profissional, à remuneração justa e às condições dignas de trabalho.

A escola ocupa importante papel na construção da equidade de gênero. É na sala de aula que muitas meninas reconhecem seus direitos e desenvolvem pensamento crítico diante de múltiplas formas de discriminação – o machismo, o racismo, a LGBTfobia –, que se entrelaçam e aprofundam desigualdades. Defender igualdade salarial, valorização da carreira e políticas públicas de cuidado é também fortalecer uma educação laica, inclusiva e de qualidade – e, com ela, a própria democracia.

Neste 8 de Março, a Contee reafirma seu compromisso com todas as mulheres trabalhadoras e, de maneira especial, com as trabalhadoras da educação. Defender direitos, combater desigualdades e fortalecer políticas públicas integra um projeto de sociedade comprometido com a democracia e com a dignidade humana.

Porque igualdade se constrói com organização, luta e compromisso coletivo.

Por Antônia Rangel

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