8M leva multidões às ruas no Brasil e no mundo contra a violência
Manifestações denunciaram feminicídio, desigualdade e guerras, reunindo movimentos feministas e lideranças políticas em defesa dos direitos das mulheres
Milhares de mulheres foram às ruas neste 8 de março em cidades de todo o Brasil e em diversos países para marcar o Dia Internacional da Mulher com protestos contra o feminicídio, a desigualdade e a violência de gênero. As mobilizações reuniram movimentos feministas, sindicatos, organizações sociais e lideranças políticas que denunciaram a persistência da violência contra mulheres e cobraram políticas públicas mais efetivas.
As manifestações ocorreram em um contexto preocupante: o Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com mais de 1.400 casos, segundo dados oficiais, cenário que tem impulsionado a mobilização feminista nas ruas.
Em várias capitais brasileiras, atos denunciaram a violência machista e reivindicaram igualdade de direitos, melhores condições de trabalho e políticas de proteção às mulheres.
Mobilizações pelo Brasil
Em São Paulo, milhares de mulheres marcharam pela Avenida Paulista mesmo sob chuva forte, exigindo medidas concretas contra a violência de gênero e defendendo pautas como o fim da escala de trabalho 6×1, frequentemente criticada por ampliar a sobrecarga das mulheres trabalhadoras.
Presente na manifestação, a presidenta interina do PCdoB, Nádia Campeão, destacou o significado político do ato e a persistência da mobilização mesmo diante da chuva que caiu sobre a capital paulista. “Hoje, domingo, 8 de março, aqui em São Paulo, uma chuva torrencial e a turma toda aqui ainda aguardando o final da manifestação do 8 de março. Ia ser uma enorme passeata aqui em São Paulo em defesa dos direitos da mulher, contra o feminicídio.”
Campeão também relacionou a luta feminista à defesa da soberania dos povos e à denúncia das guerras e do imperialismo. “Nossa tristeza e nosso grito de luta são também pelas meninas assassinadas pelo imperialismo. Pelas mães dessas meninas e por todas as mulheres que lutam em defesa da soberania dos povos.”
O ato em São Paulo recebeu o nome de Em Defesa da Vida das Mulheres e teve a participação de diversos movimentos sociais e sindicais entre eles, a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.
No Rio de Janeiro, milhares de manifestantes ocuparam a orla de Copacabana, onde cruzes foram fincadas na areia com o lema “Parem de nos matar”, em memória das vítimas de feminicídio. O protesto ocorreu no mesmo bairro onde, semanas antes, uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo, caso que provocou indignação nacional.
A deputada estadual Dani Balbi (PCdoB-RJ) destacou o caráter político das mobilizações do 8 de março e a centralidade das mulheres na construção da democracia. “Nesse dia 8 de março, todas as mulheres de todos os movimentos, de todas as etnias, de todos os lugares do Brasil ocupamos as ruas para dizer basta de feminicídio. Mas não só para isso: para retomar as rédeas da política no nosso país, para dizer que não haverá projeto de futuro de democracia para o Brasil sem que nós estejamos no centro.”
A parlamentar também criticou iniciativas que buscam retirar direitos das mulheres, especialmente os direitos reprodutivos. “Basta de violência contra a mulher e por uma agenda propositiva, protagonizada, construída e dirigida pelas mulheres.”
Na capital mineira, Belo Horizonte, manifestantes também denunciaram a violência contra as mulheres. Cruzes foram colocadas em espaços públicos representando vítimas de feminicídio no estado, transformando a mobilização em um ato de denúncia e memória.
Em Porto Alegre, uma performance teatral marcou a marcha: manifestantes carregaram sapatos femininos manchados de vermelho, simbolizando mulheres assassinadas no estado, enquanto gritavam os nomes das vítimas.
Outras cidades, como Campinas (SP), Recife (PE), Salvador (BA), Belém (PA), Alagoas (AL), Florianópolis (SC), Natal (RN) e Cuiabá (MT) também registraram marchas e atos públicos, reunindo coletivos feministas, sindicatos e organizações sociais que pediram o fim da violência e mais igualdade de direitos.
A luta das mulheres também ecoa no mundo
As mobilizações do 8 de Março não se limitaram ao Brasil. Em diversos países, multidões ocuparam as ruas com reivindicações semelhantes, denunciando violência de gênero, desigualdade salarial e o avanço de políticas conservadoras que ameaçam direitos das mulheres.
Na Espanha, marchas massivas tomaram cidades como Madri e Barcelona, onde manifestantes defenderam igualdade e protestaram contra a violência machista. Algumas manifestações também levantaram bandeiras contra guerras e conflitos internacionais.
A vice-presidente do governo espanhol, Yolanda Díaz, reforçou o caráter político das mobilizações: “Está em nossas mãos parar a guerra, parar a barbárie e conquistar direitos. Nós nos declaramos em defesa da paz, do povo iraniano e das mulheres iranianas.”
Na França, dezenas de milhares de pessoas participaram de marchas feministas. A ativista Gisèle Pelicot, que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual após denunciar o próprio ex-marido e seus cúmplices, discursou diante da multidão. “Não renunciaremos a nada!”, afirmou Pelicot ao defender a continuidade da luta pelos direitos das mulheres.
Feminismo nas ruas
No Brasil e no mundo, o 8 de Março reafirmou que a data vai muito além de homenagens simbólicas. Nas ruas, as manifestações transformaram o luto pelas vítimas da violência em mobilização política e em pressão por mudanças estruturais.
Entre as principais reivindicações presentes nos atos estiveram:
- combate ao feminicídio e à violência de gênero;
- igualdade salarial e de direitos;
- redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1;
- ampliação de políticas públicas de proteção às mulheres;
- defesa da democracia e dos direitos sociais
A presença massiva de mulheres nas ruas reafirma que o 8M continua sendo, sobretudo, um dia de luta coletiva por direitos, igualdade e justiça.
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com agências





