1º de Maio: reduzir a jornada, ampliar direitos e valorizar quem educa o Brasil

O 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora, não é apenas uma data comemorativa. É, sobretudo, um marco histórico de luta, memória e mobilização. Ao longo de mais de um século, trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo conquistaram direitos fundamentais por meio da organização coletiva — entre eles, a limitação da jornada de trabalho, símbolo de dignidade e de civilização.

No Brasil, essa trajetória também foi marcada por enfrentamentos e avanços graduais. Da conquista das oito horas diárias à fixação da jornada semanal em 44 horas na “Constituição Cidadã” de 1988, cada passo foi resultado da pressão social e da ação organizada do movimento sindical. A redução da jornada sempre esteve no centro desse processo, não apenas como medida econômica, mas como instrumento de justiça social: trabalhar menos para viver melhor, gerar empregos e garantir tempo para a família, o estudo e a participação cidadã.

Hoje, essa agenda volta com força. Em um cenário de profundas transformações no mundo do trabalho — marcado pela precarização, pela informalidade e pelas novas tecnologias —, a luta pela redução da jornada ganha atualidade e urgência. Trata-se de uma resposta concreta aos desafios do presente.

Pela primeira vez, um governo encaminha ao Congresso Nacional um projeto de lei que propõe a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, com o fim da escala 6×1 e sem redução de salários. O texto se soma a outros projetos que já tramitam na Câmara Federal e têm essência similar. É parte de uma construção coletiva.

Nesse contexto, é preciso reconhecer os avanços recentes e concretos promovidos neste terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu governo recolocou os trabalhadores no centro das políticas públicas. A retomada da valorização do salário mínimo, a recuperação do emprego formal, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, o menor índice de desemprego da história, a lei da igualdade salarial e iniciativas voltadas ao combate ao endividamento das famílias são exemplos dessa busca por reconstruir direitos e dinamizar a economia a partir da renda do trabalho.

Ao mesmo tempo, o movimento sindical aponta novos caminhos. A realização da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat 2026), em 15 de abril passado, representa um momento estratégico de unidade das centrais sindicais em torno de uma agenda comum. Com 68 reivindicações, a nova Pauta da Classe Trabalhadora reafirma pleitos históricos, como a redução da jornada para 40 horas semanais, e incorpora temas contemporâneos, como a regulação das novas formas de trabalho, a valorização do serviço público e a defesa da democracia.

Como bem disse a Pauta da Classe Trabalhadora, estamos diante de “transformações aceleradas no mundo do trabalho” que exigem respostas à altura. A terceirização irrestrita, a pejotização que desestrutura o FGTS e fragiliza a Previdência, o trabalho por aplicativos sem direitos — tudo isso precisa ser enfrentado com a mesma energia que dedicamos à luta pela redução do tempo de trabalho.

Para a Contee, essa luta tem um significado ainda mais profundo. A redução da jornada está diretamente ligada à qualidade da educação. Professores e demais profissionais da educação precisam de tempo para planejar, estudar, se qualificar e cuidar de sua saúde. Jornadas extenuantes comprometem não apenas o trabalhador, mas o próprio processo educativo.

Neste 1º de Maio, reafirmamos que a valorização do trabalho passa, necessariamente, pela redução da jornada e pela ampliação de direitos. Celebrar a data é reconhecer as conquistas do passado, defender os avanços do presente e projetar um futuro em que o trabalho esteja a serviço da vida. Reduzir a jornada para 40 horas semanais e garantir dois dias consecutivos de descanso é a valorização da existência sobre a produção.

Caberá a cada sindicato, a cada federação, a cada trabalhador e trabalhadora da educação pressionar, mobilizar, ocupar os corredores do Congresso e as ruas das cidades. É preciso que a classe exija. A Contee estará na linha de frente dessa luta. A educação que defendemos não separa o tempo de aprender do tempo de viver. Reduzir a jornada é garantir que trabalhadores e trabalhadoras da educação tenham fôlego para ensinar — e existência para além da sala de aula.”

Além disso, se faz imperiosa a defesa da democracia e da soberania nacional. As recentes derrotas do governo no Congresso — como a rejeição do nome de Antonio Messias para o Supremo Tribunal Federal e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria — mostram que a disputa por direitos também se dá no campo institucional. A composição da mais alta corte e as regras de punição a agentes do Estado estão diretamente ligadas à proteção dos trabalhadores, à integridade da Justiça do Trabalho e ao Estado Democrático de Direito. Cada retrocesso nessa seara enfraquece a classe trabalhadora e fortalece setores que sempre viram na precarização e no autoritarismo respostas para os conflitos sociais. Por isso, a luta pela redução da jornada, pela valorização da educação e pela ampliação de direitos é também uma luta para que o Legislativo e o Judiciário estejam a serviço do povo brasileiro — e não de corporações ou de projetos de poder arbitrários.

Neste 1º de Maio, a Contee convoca os sindicatos e federações a ocuparem as ruas na defesa dos interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, do povo brasileiro. A história mostra que nenhum direito foi concedido de forma espontânea. Todos foram conquistados com muita luta. É essa mesma energia coletiva que seguirá movendo a classe trabalhadora brasileira na construção de um país mais justo, desenvolvido e democrático.

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