Petro reage à escalada de violência às vésperas da eleição na Colômbia
Governo anuncia recompensa de R$ 7 milhões, reforço militar e denúncia à CPI após 26 ataques atribuídos a dissidentes das FARC às vésperas do pleito
A Colômbia registra uma nova onda de violência no sudoeste do país, com 26 ataques registrados em apenas dois dias nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca. O episódio mais grave ocorreu no sábado (25), quando uma explosão na Rodovia Pan-Americana, em Cajibío, deixou pelo menos 20 mortos e 48 feridos. Diante da ofensiva, o presidente Gustavo Petro classificou os autores como “terroristas, fascistas e narcotraficantes” e anunciou medidas excepcionais de resposta estatal.
A escalada de violência ocorre a pouco mais de um mês das eleições presidenciais marcadas para 31 de maio, reacendendo o debate sobre segurança pública – tema central da campanha. Candidatos como Iván Cepeda, Paloma Valencia e Abelardo de la Espriella já denunciaram ameaças de morte.
“Seu chefe se chama Marlon, plenamente identificado pela inteligência policial e militar”, disse Petro, ao pedir “máxima perseguição mundial” contra o grupo narcoterrorista. “São delinquentes criminosos contra a humanidade e assim devem ser tratados. Querem que a extrema direita: o fascismo, governe a Colômbia porque sabem que com eles fazem seus negócios de cocaína e ouro ilícito”, acrescentou.
Ofensiva criminal deixa rastro de destruição
Segundo as autoridades, os ataques começaram na sexta-feira (24) e se intensificaram no fim de semana. O atentado mais letal atingiu mais de uma dúzia de veículos na região de El Túnel, provocando uma cratera na pista e espalhando destroços por metros. Entre as vítimas confirmadas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal, há 15 mulheres e cinco homens; preliminarmente, cinco menores de idade estavam entre os feridos.
Além da explosão na rodovia, foram registradas ações contra infraestrutura estratégica, incluindo um radar aéreo em El Tambo. O governador de Cauca, Octavio Guzmán, relatou incidentes simultâneos em municípios como Caloto, Popayán, Guachené, Mercaderes e Miranda. “Esta é uma ofensiva direta contra a vida, contra um povo indefeso”, afirmou Guzmán.
Petro anuncia resposta “máxima” e aciona instâncias internacionais
Em publicação na plataforma X, o presidente Gustavo Petro reagiu com contundência: “Os que atentaram e mataram civis em Cajibío, muitos indígenas entre eles, são terroristas, fascistas e narcotraficantes”. Ele identificou o líder dos ataques como “Marlon”, pseudônimo de Iván Jacobo Idrobo Arredondo.
Petro anunciou um conjunto de medidas imediatas:
- Reforço de mais de 13 pelotões de cavalaria blindada e 12 de infantaria na região;
- Recompensa de até 5 bilhões de pesos colombianos (cerca de R$ 7 milhões) por informações que levem à captura dos responsáveis;
- Acionamento da UIAF (Unidade de Informação e Análise Financeira) para rastrear ativos do grupo;
- Preparação de denúncia perante a Corte Penal Internacional por crimes contra a humanidade.
“Quero que o povo caucano se liberte desta máfia, detritos da violência”, declarou o presidente, que também defendeu o histórico de seu governo no combate ao narcotráfico.
Dissidentes das FARC sob comando de “Marlon” e “Mordisco”
As autoridades atribuem a autoria dos ataques a Marlon e Iván Mordisco, dissidentes das extintas FARC. Segundo investigações, “Marlon” recebeu anistia da Jurisdição Especial para a Paz em 2017, mas retornou à luta armada em 2019. A ele são atribuídos pelo menos oito ataques, incluindo o assassinato da candidata Karina García, em 2019.
O comandante das Forças Armadas, Hugo Alejandro López Barreto, afirmou que a ofensiva é uma resposta à “pressão constante” das operações militares no Cauca e na fronteira com Valle del Cauca. “Diante dessa ofensiva, esses criminosos estão recorrendo ao terrorismo em uma tentativa desesperada de aliviar a pressão”, explicou.
Eleições presidenciais sob sombra da insegurança
Enquanto a oposição critica a política de “paz total” do governo Petro, alegando que ela teria permitido o fortalecimento de grupos ilegais, o Executivo defende que as medidas anunciadas demonstram capacidade de resposta. No departamento de Cauca, foram decretados três dias de luto oficial, e autoridades locais pedem presença reforçada do Estado.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que os ataques “comprovam a fraqueza e a covardia” dos dissidentes. “Vamos fortalecer nossa presença com tecnologia adicional para vigilância e prevenção”, garantiu. As Forças Armadas mantêm vigilância aérea constante na região para prevenir novos atentados.
Por Cezar Xavier





