Galípolo continua com a sabotagem de Campos Neto

Centrais sindicais protestaram contra os juros altos na Av. Paulista. Adilson Araújo também afirmou que o Banco Central segue como “garçom de banqueiros”

As centrais sindicais protestaram nesta terça-feira (28), em frente ao Banco Central (BC), na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), pela redução dos juros. O Comitê de Política Econômica (Copom) se reúne até amanhã, quarta-feira (29), quando definirá em quanto ficará a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

O apelo do movimento sindical não é de hoje. Desde a presidência de Roberto Campos Neto no BC, as centrais estão nas ruas para protestar contra a política monetária. Com a mudança na presidência para Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula, pensava-se que haveria uma mudança de rumo.

No entanto, após meses, a mesma condução da Selic continua, o que encarece o crédito, prejudica investimentos, reduz o consumo e tem como resultado o enfraquecimento econômico que se reflete na geração de empregos e na renda da população.

O presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Adilson Araújo, fez duras críticas ao BC e Galípolo. Na sua avaliação, já passou da hora de um “cavalo de pau” que acerte o direcionamento da política monetária.

“Não é mais o Roberto Campos Neto, é um presidente indicado pelo Lula, que segue a cartilha do demônio do Deus mercado, que está pouco ou quase nada se lixando com o preço do arroz e do feijão no supermercado. A gente não pode admitir que, no curso das mudanças políticas, o Brasil siga arando terra para o neocolonialismo”, afirma.

Adilson ainda destacou que 80,4% dos brasileiros estão endividados e que as medidas adotadas pelo governo Lula para atacar essa mazela da sociedade serão inúteis caso os juros não sejam reduzidos: “O governo precisa pressionar para reduzir a taxa de juros, se não as medidas, além de compensatórias, vão subtrair o lucro dos trabalhadores”.

O cetebista também lembra que mesmo países em guerra como os Estados Unidos têm uma taxa de juros de 3,50% a 3,75% ao ano. Já no Japão é de 0,75% e no Reino Unido está em 3,75%. Além da indignação provocada por essa comparação, ele aponta para o lucro absurdo que os bancos conseguem no Brasil com esses juros: “Aí você pega Bradesco, Santander e Itaú. Sabe quanto foi o lucro desses bancos? R$ 84 bilhões. Houve um aumento de 16% no lucro dos bancos. Não podemos admitir que as coisas se perpetuem”.

O sindicalista ainda cobra que o presidente Lula seja mais enfático na defesa da redução dos juros, pois “a mesma sabotagem praticada por Roberto Campos Neto segue sendo praticada por Gabriel Galípolo”, afirma.

“Não há diferença. A máscara é a mesma. A turma do Banco Central só faz servir de garçom para os banqueiros. Para a gente mudar esse estado de caos, temos que dar centralidade e atenção ao projeto nacional de desenvolvimento […] se não baixar os juros, não tem desenvolvimento produtivo, não tem alimento para as famílias, não tem investimento na saúde, na educação, em moradia”, completa o presidente da CTB.

Já Ubiraci Dantas, vice-presidente da CTB, respaldou a fala de Adilson e reforçou a necessidade de reduzir os juros de forma consistente ao longo do tempo, bem como de ampliar a mobilização para o 1º de Maio, que terá como tema o fim da escala 6×1: “Vamos seguindo na luta, unificando na prática, com palavras de ordem concretas: redução da jornada de trabalho, fim da escala 6×1 e redução das taxas de juros.”

Também estiveram no ato lideranças da CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Por Murilo da Silva

Fonte
Vermelho

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