Ofensiva dos EUA e Israel falha em frear avanço nuclear do Irã

Mesmo após ataques, Teerã mantém urânio estratégico e prazo para bomba segue em até um ano, dizem fontes de inteligência

A ofensiva militar liderada por Estados Unidos e Israel não foi suficiente para alterar o cronograma nuclear do Irã. Segundo avaliações da inteligência americana obtidas pela agência Reuters, o tempo estimado para que Teerã consiga fabricar uma arma nuclear permanece em até um ano, o mesmo patamar registrado no verão passado.

A manutenção do status quo desafia os objetivos declarados pelo governo de Donald Trump, que justificou parte da atual campanha militar como uma medida necessária para impedir que o país persa obtenha o armamento atômico. Fontes ligadas à inteligência indicam que, embora instalações tenham sido atingidas, o material essencial — o urânio altamente enriquecido — permanece sob controle iraniano.

O impasse reside na localização e na proteção do estoque nuclear. Analistas apontam que a maior parte do urânio está armazenada em estruturas subterrâneas de grande profundidade, imunes aos bombardeios convencionais.

Antes de junho de 2025, órgãos americanos estimavam que o Irã poderia montar uma bomba em um intervalo de três a seis meses. Após ataques contra os complexos de Natanz, Fordow e Isfahan, o prazo foi ampliado para o horizonte de nove meses a um ano, onde estagnou desde então.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) manifesta preocupação com o paradeiro de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. O órgão estima que o estoque total, se processado a níveis mais altos, seria suficiente para a produção de dez ogivas.

Divergência de discursos

Publicamente, a Casa Branca sustenta que as operações militares foram bem-sucedidas em degradar a infraestrutura iraniana. A porta-voz Olivia Wales afirmou que a estratégia combinada de Washington e Israel neutralizou setores críticos: “Enquanto a Operação Martelo da Meia-Noite destruiu as instalações nucleares do Irã, a Operação Fúria Épica aproveitou esse sucesso para dizimar a base industrial de defesa do Irã, que antes servia como escudo protetor em sua busca por armas nucleares“.

Contudo, nos bastidores, a leitura é de que os ataques americanos focaram excessivamente em alvos militares convencionais e na liderança política, poupando os gargalos técnicos do programa atômico.

Opções de alto risco

Diante da ineficácia dos bombardeios aéreos em atrasar o relógio nuclear, o governo americano discute opções de alto risco. Entre as medidas avaliadas estão operações terrestres em território iraniano, com o objetivo de capturar ou destruir o urânio armazenado nos túneis de Isfahan.

Para especialistas, o fator humano também entra na equação, especialmente após o assassinato de cientistas do programa. David Albright, ex-inspetor da ONU, ressalta que a perda de quadros técnicos é o maior golpe que Teerã pode sofrer. “Acho que todos concordam que o conhecimento não pode ser bombardeado, mas o saber-fazer certamente pode ser destruído“, diz Albright.

O Irã, por sua vez, mantém a posição oficial de que seu programa tem fins exclusivamente civis.

Fonte
Jornal GGN

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