Irã propõe abrir Ormuz e busca apoio estratégico na Rússia
Enquanto negociações com EUA travam em Islamabad, chanceler iraniano se reúne com Putin em São Petersburgo; Teerã quer desvincular pauta nuclear do fim do bloqueio naval
As negociações diplomáticas para encerrar o conflito direto entre Estados Unidos e Irã atingiram um novo impasse nesta segunda-feira (27). Após uma rodada de conversas mediadas pelo Paquistão, em Islamabad, o diálogo foi suspenso por tempo indeterminado.
Contudo, o eixo da crise deslocou-se hoje para o Leste Europeu: o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, desembarcou em São Petersburgo para uma reunião de emergência com o presidente Vladimir Putin. O movimento ocorre após Teerã propor a reabertura imediata do Estreito de Ormuz em troca do fim do bloqueio naval norte-americano — proposta rejeitada pela gestão Donald Trump, que exige concessões nucleares imediatas.
Irã combina com os Russos
O encontro nesta segunda-feira (27) em solo russo adicionou um novo componente de pressão sobre Washington. Recebido por Putin, o ministro Araghchi entregou uma mensagem pessoal do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Durante a reunião, que contou com a presença do chanceler Sergey Lavrov, o presidente russo elogiou a “coragem heroica” do povo iraniano na defesa de sua soberania e prometeu apoio para estabelecer a paz na região, criticando o que chamou de “agressões externas”.
Para analistas, a visita a São Petersburgo, logo após passagens por Islamabad e Omã, sinaliza que o Irã busca fortalecer o apoio do Sul Global e da Rússia para romper o isolamento provocado pelo bloqueio naval do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Araghchi afirmou no desembarque que “o mundo reconheceu o poder real do Irã”, reforçando que o país não aceitará o que classifica como “chantagem econômica dos Estados Unidos”.
Impasse em Islamabad e a tática de Trump
Em Islamabad, o cenário é de paralisia. O governo iraniano tentou, durante o fim de semana, separar a pauta energética da nuclear. A proposta previa o fim das minas navais em Ormuz em troca da liberação dos portos iranianos, que acumulam prejuízos diários de US$ 500 milhões. A Casa Branca, no entanto, sinalizou negativamente a retomada imediata das conversações ao remover parte de sua equipe de segurança do Paquistão.
Donald Trump mantém uma posição inflexível. Na própria rede social, Truth Social, o presidente norte-americano reiterou que o bloqueio naval permanecerá “em pleno vigor” até que o Irã aceite suspender o enriquecimento de urânio por um período de 10 a 20 anos. “O Estreito está aberto para os outros, mas o bloqueio continuará até que as negociações estejam 100% concluídas”, postou Trump, vinculando diretamente o alívio econômico à capitulação de Teerã ao Programa Nuclear Iraniano.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, denuncia a postura de Washington como hipócrita, e afirma que “bloqueios e ameaças são os principais obstáculos para negociações genuínas”. O líder Mojtaba Khamenei declarou que o Irã levará a gestão do Estreito a um “novo estágio” de soberania.
Por Davi Molinari





