A vitória do futebol coletivo

Por José Geraldo de Santana Oliveira*

Terminou o mais belo espetáculo cultural da Terra: a Copa do Mundo de Futebol, que só acontece a cada quatro anos e que mobiliza num abraço universal e indescritível confraternização todos os povos, pois que não há um só que seja, dentre todos, que não se entregue à magia que o futebol proporciona.

E o que é mais importante, terminou com a vitória do futebol solidário, jogado coletivamente, com rara beleza, desprendimento e poesia. Ganhou merecidamente a Espanha, que cumpriu tudo que se espera de uma seleção de futebol, que vai ao mundial para honrar seu povo, sua história e seus valores culturais. O que, lamentavelmente, a seleção brasileira deixou de fazê-lo.

Outras notas de destaque para a Copa de 2026 são sua realização simultânea em três países e com a participação de quarenta e oito nações, pela primeira vez nos noventa e seis anos de realização — com exceção de 1942 e 1946, em que não se realizou, em decorrência da Segunda Guerra Mundial. Para quem ama o futebol e tem nele o símbolo universal da confraternização, isso é digno de louvor.

As peripécias e as notas tristes da Copa, tais como a negativa de visto de entrada ao EUA ao árbitro da Somália; a vergonhosa capitulação da Fifa à tirania de Trump — exigindo a quebra das regras por todos obedecidas, com a suspensão por cartão vermelho para liberar jogador da seleção norteamericana para o jogo com a Suíça —; a repulsiva atitude antidesportiva da maioria dos jogadores da Argentina, que ficaram de costas para a solenidade de entrega das medalhas aos campeões espanhóis; e a má vontade da seleção brasileira, em total divórcio com o anseio da nação, não foram capazes de empanar o brilho do futebol e, principalmente, da seleção espanhola; que, tal como, na lição da imorredoura fábula de Esopo, O feixe de varas, fez da união a sua força e o caminho para sua vitória.

Tomara que na Copa de Futebol feminino, a ser disputada no Brasil, em 2027, comemoremos novamente a vitória da confraternização universal — para o bom futebol e para a beleza e a prevalência da coletividade.

Que assim seja!

*José Geraldo de Santana Oliveira é consultor jurídico da Contee

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