Nota de apoio aos professores argentinos em greve
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee se solidariza com as professoras e os professores da Argentina que nesta segunda-feira (3) cruzaram os braços em uma greve nacional convocada pela Confederação dos Trabalhadores da Educação da República Argentina (CTERA). O movimento é consequência da recusa do governo de Javier Milei em sentar-se à mesa de negociação salarial.
As reivindicações dos docentes são concretas e justas. Os salários dos professores seguem perdendo poder de compra diante da inflação, enquanto o governo corta programas educacionais, formação docente e infraestrutura escolar. Os sindicatos cobram a devolução imediata do Fundo de Incentivo Docente, o Fonid, extinto por decreto do governo Milei em março de 2024, além de mais recursos para infraestrutura escolar e programas educacionais.
No mesmo dia, os sindicatos que representam os professores e professoras do setor privado de ensino da Argentina denunciaram os retrocessos no sistema educativo do país e as más condições de trabalho e aposentadoria. Sadop, CEA, Fedun e UDA anunciaram um plano de lutas conjunto para o mês de agosto.
Não é a primeira vez que a categoria docente argentina precisa recorrer à paralisação para ser ouvida. Meses atrás, o desmonte avançou sobre outra frente: o Congresso manteve o veto de Milei à Lei de Financiamento Universitário, mesmo com maioria parlamentar contrária ao veto, insuficiente para superar o quórum qualificado exigido. Na ocasião, a Federação de Docentes e Pesquisadores Universitários já apontava que mais de 70% dos docentes recebiam salários abaixo da linha da pobreza.
O que a Argentina vive hoje não é um episódio isolado. É a aplicação sistemática de uma política de extrema-direita que trata a educação pública como despesa a ser cortada, não como direito a ser garantido, e que trata os professores como adversários, não como trabalhadores a serem ouvidos.
Essa mesma política bate à porta de outros países da região, inclusive do Brasil. Por isso, a solidariedade internacional não é gesto simbólico, mas resistência conjunta contra o retrocesso. Também é reconhecimento de que a luta da CTERA dialoga diretamente com a defesa da escola pública, dos salários dignos e da carreira docente que fazemos aqui.
A Contee manifesta seu apoio às professoras e professores argentinos, à CTERA e às demais entidades sindicais que os representam, e reafirma que a defesa da educação pública não conhece fronteiras.
Brasília, 4 de agosto de 2026.
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee





