Diretoria Plena da Contee aprova diretrizes para eleição de 2026 e coordenação das campanhas salariais de 2027
A Diretoria Plena da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) se reuniu na noite da última sexta-feira (28) e na manhã de sábado (29) para debater dois eixos que devem orientar a atuação da entidade nos próximos meses: as diretrizes da confederação diante da eleição presidencial de 2026 e o balanço das campanhas salariais da categoria, com vistas às negociações de 2027.
Na abertura dos trabalhos, o coordenador-geral da Contee, Railton Nascimento Souza, situou a conjuntura internacional como pano de fundo para o debate eleitoral brasileiro. Ele citou o avanço do intervencionismo dos Estados Unidos na América Latina, da Venezuela a Cuba, como elementos que se somam às pressões sobre o processo eleitoral no Brasil.
“Nós, que temos compromisso com a democracia, estamos dedicados de corpo e alma a essas eleições. É importante colocar o pé no chão da realidade, analisar a conjuntura e traçar nossa tática porque a estratégia é clara: eleger o presidente Lula”, afirmou. “Precisamos envidar todos os esforços possíveis e impossíveis para que em 2027 tenhamos o presidente Lula reeleito.
O secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo, aprofundou esse alerta ao apresentar projeções sobre a composição do Congresso. Segundo ele, estudos indicam que a extrema direita deve avançar nas cadeiras no Senado, cenário que classificou como um risco à própria ordem constitucional.
Camargo defendeu que a Contee e as entidades sindicais precisam ampliar o debate político para além da avaliação retrospectiva do governo, já que, na sua leitura, o histórico de entregas dos governos Lula não é suficiente para mobilizar o eleitorado mais jovem. “Precisamos dizer que, além de tudo isso, ele precisa ter perspectiva de que o ensino superior seja alcançado e que vai ter emprego quando sair da universidade”, disse, ao defender que o discurso da campanha aponte também para o futuro e para os riscos de retrocesso caso a extrema direita chegue ao poder.
Já o secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, Nivaldo Santana, situou o pleito de 2026 como o mais decisivo das últimas décadas. “Temos condições de vitória mas as eleições são muito difíceis”, destacou. “Existe uma grande unidade do movimento sindical de lutar para derrotar a extrema direita, e essa luta não autoriza a nenhum dirigente classista de se omitir a pretexto de adotar uma postura independente sindical diante das disputas políticas.”
Nivaldo Santana fez um balanço das seis últimas eleições presidenciais, em que o campo progressista venceu cinco, e apontou uma contradição que considera central: as vitórias presidenciais não se traduziram em maioria no Congresso nem nos governos estaduais dos principais estados do país. Para ele, o desafio da Contee e do conjunto do movimento sindical é duplo — garantir a reeleição de Lula e, ao mesmo tempo, qualificar a bancada eleita, avançando em pautas estruturais como valorização do trabalho, reindustrialização e redução dos juros.

O segundo ponto da pauta trouxe a apresentação da Secretaria de Relações de Trabalho sobre o andamento das negociações coletivas de 2026. O diagnóstico apontou um patronato cada vez mais organizado e “georreferenciado”, que adapta argumentos padronizados à realidade de cada região. Também chamou atenção para o avanço de fundos de investimento no ensino básico, movimento que já era observado no ensino superior.
Os dados apresentados mostram que, no setor de ensino superior, que concentra mais de 80% das matrículas do segmento, a lucratividade gerada por professor cresceu 35%, enquanto o custo com esse mesmo profissional caiu 16%. A secretaria também citou os casos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais como indicativos das dificuldades que devem marcar as negociações de 2027, com ataques a direitos como bolsas de estudo, planos de saúde e intervalo remunerado.
Encaminhamentos
Na primeira parte da reunião, a diretoria aprovou:
– A manutenção do posicionamento público da Contee em defesa da Agenda da Classe Trabalhadora, aprovada na Conclat de abril de 2026, com a denúncia das propostas eleitorais que ameaçam direitos trabalhistas, sindicais e sociais.
– O engajamento das lideranças da confederação e das entidades filiadas na reeleição de Lula e na eleição de uma bancada comprometida com essa agenda.
– A elaboração de uma Carta Plataforma com as demandas da Contee aos candidatos e candidatas, que será redigida em formato jornalístico pela equipe de comunicação da confederação, divulgada nos canais institucionais e levada às entidades filiadas para subsidiar a politização das categorias. A carta deverá ser apresentada aos candidatos ao parlamento para assinatura pública.
– A publicação, por parte da Secretaria de Comunicação da Contee, de conteúdos criativos sobre as propostas de retrocessos da direita e da extrema direita.
Na segunda parte da reunião, após a exposição da Secretaria de Relações de Trabalho, foram aprovados por unanimidade os seguintes pontos:
- A consolidação de uma coordenação nacional das negociações 2027 por meio do intercâmbio e compartilhamento de informações entre as entidades sindicais filiadas à Contee, com o fim de apoiá-las nas campanhas salariais diante de um patronato cada vez mais articulado nacionalmente. Para tanto deve utilizar o Banco de Dados que reúne cláusulas de Convenções e Acordos Coletivos; conclamar as entidades filiadas a compartilhar essas informações de seus instrumentos coletivos para aprimorar essa ferramenta; acompanhar as negociações de forma permanente por meio das atividades da Secretaria de Relações de Trabalho; acompanhar as negociações e campanhas salariais, através das Diretorias Plena e Executiva, a partir das informações trazidas pela Secretaria de Relações de Trabalho, promovendo os encaminhamentos necessários ao êxito desse trabalho.
- A aprovação da proposta de elaboração de duas notas. A primeira, indicada pelo Sinpro do Sul Fluminense, deve repudiar a investida patronal contra o direito de intervalo. A segunda, uma nota de apoio à greve promovida pelo Sinpro RJ em razão da postura intransigente do patronato, que se recusa a negociar.
- A aprovação do indicativo de antecipação do Consind para fevereiro de 2027, alterando-se o calendário que o previa para 16 e 17 de julho de 2027. Foram aprovados também os indicativos de pauta do referido Consind, circunscritos em dois pontos: negociações e campanhas salariais 2027 e posicionamento da Contee diante do novo governo que será eleito em 2026 e demais temas que emanam desse fato político. A Diretoria Executiva da Contee deve pautar o Consind 2027 na próxima reunião, tratar o tema e dar os encaminhamentos que se mostrarem necessários ao seu êxito.
Por Andressa Schpallir





