Lula anuncia fim da fila para atendimentos no INSS e redução de espera
Ao comunicar resultado do trabalho iniciado em 2023, presidente salienta que objetivo é humanizar o processo de concessão e garantir que atendimento seja feito no tempo certo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira (3), que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alcançou a meta de realizar os atendimentos sem fila no País, terminando, assim, com uma das principais dificuldades enfrentadas pelos beneficiários.
Conforme informado pelo Governo Federal, com a fila zerada, o órgão consegue finalizar mais processos do que a entrada de pedidos iniciais a cada mês. Somente em julho — quando foram registrados mais de 1,4 milhão de novos pedidos de aposentadorias e benefícios, volume considerado recorde — mais de 1,6 milhão de respostas foram concedidas. A quantidade de processos em análise, que chegou a 3,1 milhões em fevereiro, hoje está em 1,25 milhão.
O órgão também anunciou a redução do tempo médio de atendimento de 59 dias em fevereiro para 34 dias em agosto — 11 dias a menos do que o prazo legal estabelecido, que é de 45 dias.
Em sua fala, o presidente parabenizou os servidores, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e a presidenta do INSS, Ana Cristina Viana Silveira pela conquista e declarou: “A gente não quer acabar com a fila — porque o dia em que a gente acabar com a fila, significa que não tem mais ninguém reivindicando direitos. O que a gente quer é humanizar a fila, é a pessoa ter o tempo correto de dar entrada, esperar e receber seu benefício”.
Lula também rechaçou a crítica, comumente feita por setores políticos e sociais, à concessão de benefícios como o BPC e o Bolsa Família pelo seu custo que geraria para os cofres públicos. “A culpa cai sempre em cima do mais humilde. Agora, a culpa é do BPC, do Bolsa Família…tem critérios (para a concessão): se a pessoa está pedindo, é porque ela acha que tem direito e nós temos que avaliar se ela tem; se ela tiver, a gente dá, se não tiver, a gente diz que não tem. É assim que funciona a máquina pública”.
Lula também enfatizou que pagar os benefícios a quem precisa e tem direito não é gasto. “É uma obrigação do Estado civilizado garantir que todos os seus possam tomar café, almoçar e jantar todo santo dia; e é isso que a Previdência faz”, afirmou.
Durante o anúncio, o presidente também lembrou que hoje estava cumprindo com o prometido durante sabatina na Rede Globo na semana passada — que Lula chamou de “inquisição”. Na ocasião, o jornalista Cesar Tralli disse que o INSS tinha três milhões de pessoas na fila, aguardando atendimento. “Tinha. Você está convidado, na semana que vem, a ir a Brasília porque vamos anunciar o fim da fila”, relatou Lula.
O presidente também abordou a fraude no INSS, iniciada em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), segundo mostrado pelas investigações conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal. “Tenho muito orgulho porque foi no nosso governo que a gente descobriu a quadrilha que foi montada no governo passado para roubar aposentado, para roubar as pessoas mais humildes deste país, pessoas que têm uma vida financeira precarizada”, declarou.
Lula também criticou a extinção do ministério da Previdência e de outras pastas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o que causou prejuízos para o serviço público e a descontinuidade de programas importantes para a população.
“Quando deixei a presidência em 2010, o trabalhador recebia um comunicado do INSS (informando que completou seu tempo de serviço e que a aposentadoria estaria à disposição). Lembram-se disso? Estão lembrados que quando uma mulher ia fazer um parto, recebia o auxílio-natalidade quase concomitantemente ao filho? Isso significa gestão, compromisso e os servidores do INSS trabalhando para fazer aquilo para o qual eles foram contratados”, disse o presidente.
E prosseguiu: “Por que isso acabou? Vocês já se perguntaram porque, dez anos depois, ficou tudo tão ruim? Primeiro, porque teve gente neste país que acreditou que a gente não precisava de Ministério da Previdência. E quem acha que a gente não precisa de ministério, cria o caos. E criaram o caos com o fim de dez ministérios. Não tinha mais ministério do Trabalho, da Cultura, da Previdência, da Igualdade Racial, da Mulher, dos Direitos Humanos, das Cidades…acabou com tudo achando que isso ia resolver”.
O presidente também rebateu o discurso de que a Previdência seria a responsável pelo déficit fiscal. “Não: o déficit é porque a gente tem que pagar R$ 1,3 trilhão de juros todo ano. Nunca aceitei que jogassem a responsabilidade pelo déficit na Previdência Social e não vou aceitar. Se a gente tiver problema de compatibilidade entre a receita e a despesa, a gente discute e acerta”. Também salientou que “grande parte do dinheiro (gasto no Ministério da Previdência) é do próprio povo, a gente está devolvendo o que ele pagou”.
Outro ponto rechaçado por Lula é o fim do aumento real do salário mínimo e a desvinculação das aposentadorias. “Agora aparecem uns milagreiros dizendo que não pode dar aumento real no salário mínimo porque isso acaba com o País, com a Previdência. O PIB está crescendo 2,8%. O que é dar 3% de aumento real para o menor salário do País? Em que vai quebrar o País? A gente precisa ter noção do que realmente quebra e do que ajuda este país”.
Ferramentas para melhorar o atendimento
Conforme divulgado pelo governo, o ritmo de concessões de benefícios pelo INSS já vinha crescendo, de uma média mensal de 501 mil em 2023 para 641 mil em 2025. Entre janeiro e julho deste ano, a média mensal de concessões chegou a 730 mil – aumento de 46% considerando todo o período, desde janeiro de 2023.
Para absorver o volume crescente de pedidos, o Ministério da Previdência implementou medidas de gestão com cinco eixos. O primeiro foi o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), com o pagamento de bônus para servidores públicos que concluam tarefas além de suas metas.
Além disso, foi implementado um sistema de análise documental digital para acelerar a concessão nos casos de incapacidade temporária, sem necessidade de perícia presencial.
Outro ponto foi a ampliação dos quadros da Previdência Social, com a nomeação de mais de 2,5 mil servidores públicos e a chamada Perícia Conectada, a atuação com 865 agências aptas a realizar perícias médicas, utilizando suporte técnico e a infraestrutura da telemedicina em locais onde não há a presença física de médicos peritos.
Por fim, foram realizados mutirões para agilizar as concessões, com um salto de 31 mil atendimentos em 2023 para 218 mil em 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, foram realizados 300 mil atendimentos extras – crescimento de 868% em atendimentos desde 2023.
Por Priscila Lobregatte





