Lula fez 16 afirmações verdadeiras e Flávio Bolsonaro contou 10 mentiras no debate da Band

Placar da agência Aos Fatos mostra apenas duas afirmações verdadeiras de Flávio Bolsonaro. Lula deu duas declarações consideradas falsas

247 – O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, fez 16 afirmações verdadeiras e teve apenas duas declarações consideradas falsas durante o debate promovido pela Band no domingo (18), enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) contou 10 mentiras e teve apenas duas falas corretas ao longo do confronto. O levantamento com a checagem em tempo real das declarações prestadas pelos postulantes ao Palácio do Planalto foi realizado e divulgado pela agência Aos Fatos.

De acordo com o placar final divulgado pela checagem, Lula obteve 16 declarações classificadas como “Verdadeiro”, cinco como “Não é bem assim” e duas classificadas como “Falso”. Por outro lado, Flávio Bolsonaro registrou dez declarações classificadas como “Falso”, nove no selo “Não é bem assim” e obteve apenas dois acertos classificados como “Verdadeiro”.

A checagem apontou que Flávio Bolsonaro acumulou uma série de alegações incorretas ou distorcidas durante o debate. O candidato mentiu ao afirmar que o “Careca do INSS” teria feito parte do governo Lula, assim como mentiu ao declarar que não há investigações contra o filho de Lula pela fraude do INSS. Também é falso que a criminalidade tenha explodido no país ou que o atual governo seja recordista em criminalidade, além de ser inverídica a afirmação de que Lula e Janja teriam gasto R$ 7 bilhões em viagens.

O senador do PL voltou a mentir ao declarar que somente a bancada do PT apresentou emendas para flexibilizar as regras de controle dos descontos do INSS e que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria sido o responsável por prender Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio também inventou que houve um recorde de empresas fechadas na atual gestão, que o governo Lula não tomou providências sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que o presidente teria ido ao país norte-americano para defender organizações criminosas e que a gestão do PT consideraria que agressores sexuais de crianças seriam apenas doentes e não criminosos.

Além das mentiras diretas, Flávio Bolsonaro teve nove declarações no selo “Não é bem assim”. O candidato disse que o governo atual coloca marginais perigosos nas ruas e alegou incorretamente que a taxa de juros caiu 2% por ter ficado à frente no primeiro turno. Ele distorceu dados ao reiterar que 73% dos presidiários votaram em Lula e ao atribuir ao governo o recorde de mulheres assassinadas, fato ocorrido por conta de melhorias na qualidade dos registros. Flávio também omitiu seu apoio a projetos de lei para retirar a numeração de munições de forças de segurança, prometeu criar um prontuário eletrônico único que já existe no país, deu declarações imprecisas sobre a vacinação de Lula com imunizantes comprados na gestão anterior, omitiu que os brasileiros já podem vender produtos pela internet de suas casas e sugeriu incorretamente que os roubos de celular não teriam caído, quando na verdade diminuíram.

Entre os raros pontos em que o parlamentar esteve correto, o Aos Fatos registrou apenas duas afirmações verdadeiras: a indicação de que o atual governo deixa uma dívida de R$ 11 trilhões e o apontamento do recorde de mulheres espancadas.

Já a participação de Lula no debate da Band destacou-se por um alto índice de precisão factual, alcançando 16 afirmações verdadeiras. O presidente acertou ao citar que a Constituição de 1988 estabeleceu a segurança pública como responsabilidade dos Estados, mas fixou princípios para forças federais, e ao pontuar a aprovação da Lei Antifacção enviada ao Legislativo para aumentar penas de integrantes de facções. Lula também acertou fatos históricos e econômicos, lembrando que foi o primeiro presidente a obter dois graus de investimento (entre 2007 e 2010), que o PIB cresceu 7,5% em 2010, que sua gestão criou o MEI (que hoje soma 17,5 milhões de registros), que quitou a dívida com o FMI, deixou R$ 270 bilhões em reservas e bancarizou 22 milhões de brasileiros.

Em termos de embate direto e histórico legislativo, Lula acertou ao destacar que Flávio Bolsonaro votou sozinho contra a ampliação da licença-maternidade em 2009, quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. O presidente também acertou ao informar que a PF e a CGU desarticularam esquemas de descontos indevidos no INSS, que o governo devolveu mais de R$ 3,5 bilhões a aposentados afetados, que Flávio ganha o mesmo salário que ele, que o senador defendeu no Senado a retirada de marcação de munições e que Jair Bolsonaro (PL) liberou mais de um milhão de armas e adquiriu 1,1 bilhão de munições. Lula lembrou ainda com precisão que a inflação dos alimentos atingiu 56,17% sob Bolsonaro, frente a 13% em sua gestão atual, e acertou ao indicar que, até setembro de 2026, o Aos Fatos contabilizou 43 mentiras contadas por Flávio.

Nas duas únicas declarações classificadas como falsas, Lula disse erroneamente que o país só voltou a crescer acima de 3% após a sua volta ao Planalto e afirmou que o governo ou todos os governos do PT realizaram a maior demarcação de terras indígenas do país.

Lula também teve cinco declarações checadas na categoria “Não é bem assim”: quando atribuiu a si a prisão de Daniel Vorcaro; ao citar que a Polícia Federal investiga seu filho; ao declarar que nenhum condenado do chamado ‘Mensalão’ integra o governo atual; ao mencionar a compra de uma casa por Flávio, errando o valor de R$ 10 milhões para o preço correto de R$ 6 milhões (sendo R$ 3,1 milhões financiados pelo BRB); e ao expor a interferência do senador para evitar a prisão do policial envolvido na morte da criança Ana Clara.

Fonte
Brasil247

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