PF investiga possível fuga de Flávio Bolsonaro pela fronteira com a Argentina
Site do país vizinho aponta, ainda, que o senador teria deixado o território argentino num avião particular rumo aos EUA. Polícia está rastreando fronteira
O senador Flávio Bolsonaro (PL) pode ter fugido para a Argentina e de lá, para os Estados Unidos. A Polícia Federal está rastreando pontos de fronteira do Brasil com o país vizinho para verificar a informação.
Segundo o site Infobae, o maior da Argentina, Flávio teria cruzado a fronteira usando apenas o documento de identidade, o que é permitido entre nove países da América do Sul.
Ainda de acordo com a publicação, já em território argentino, Flávio teria pegado um avião para os Estados Unidos. O vôo estaria previsto para sair às 2h desta terça-feira (27) de Porto Iguaçu, em Misiones.
Ainda segundo o site, a empresa Baires Fly solicitou os procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. Conforme noticiou a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, a aeronave “de fato decolou de Buenos Aires às 22h14 na noite de segunda (26) e pousou em Puerto Iguazu às 23h45. Depois disso, saiu dos radares”.
Ao ser questionado pelo site Metrópoles, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha de Flávio, disse que o ex-presidenciável “não saiu” do país. Veículos de imprensa brasileiros dão conta de terem tentado contato com Flávio e sua assessoria sem sucesso.
Já o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra fugido nos EUA, ironizou a hipótese. Questionado pelo UOL se o irmão teria deixado o Brasil, respondeu, via WhatsApp, que “sim” e que “Elon Musk que está mandando um foguete”. Disse ainda que a informação seria uma mentira da esquerda.
No entanto, o próprio Eduardo sugeriu, na sexta-feira (23), que Flávio deveria deixar o País caso perdesse as eleições, decididas no domingo (25).
Nesta segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu Flávio de deixar o País e o obrigou a entregar seus passaportes em até 24 horas; o senador disse que cumprira a decisão, mas até o momento não consta a informação pública sobre a entrega. A decisão de Moraes está em segredo de justiça e foi divulgada pelo senador em suas redes sociais.
A informação já repercute no meio político. A líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), declarou, via redes sociais: “Coragem nunca foi o forte da família Bolsonaro! Um jornal argentino informa que o miliciano perdedor teria atravessado a fronteira do Brasil rumo à Argentina. Neste momento, é preciso atenção redobrada das autoridades policiais para não permitir que este criminoso deixe o país sem pagar suas muitas dívidas com a Justiça brasileira. Apuração célere e vigilância total”.
Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou: “Eu sempre disse que Flávio Bolsonaro queria ser presidente para se blindar de investigações e evitar a prisão. Ele cometeu crimes em série. Os aliados dele estão negando a fuga. Pois bem, lanço aqui um desafio ao Flávio: grave imediatamente um vídeo e prove que ainda está no Brasil”.
Inquérito no STF
Flávio tem tentado justificar a decisão do ministro como perseguição política. Porém, a medida diz respeito ao segundo inquérito a respeito do senador a tramitar no STF em que Flávio e seu amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro, relacionada a negócios envolvendo bets.
Conforme a apuração preliminar da Polícia Federal, Flávio seria beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e que também é investigada pela PF.
Documentos obtidos pela corporação indicam que Flávio aparecia como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holding, condição que lhe conferia poderes de gerenciamento. Seu acesso teria permanecido ativo até maio de 2025.
Com agências
Por Priscila Lobregatte





