Javier Milei ajuda Flávio Bolsonaro a fugir para os EUA
Governo argentino facilita fuga do filho 01 de Jair Bolsonaro em jato ligado a investigados por narcotráfico e corrupção no país vizinho
O governo de extrema direita de Javier Milei atuou como peça central no esquema de saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil após a derrota no segundo turno das eleições presidenciais. oferecendo inclusive escolta policial para o trajeto terrestre em território argentino.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou oficialmente, na madrugada desta quarta-feira (28), que o parlamentar, sua esposa Fernanda e as filhas Carolina e Luiza atravessaram a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50 de terça-feira (27).
Apenas quarenta minutos após ingressar no território argentino, às 23h30, o grupo embarcou em um voo privado da companhia argentina Baires Fly com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, decolou por volta das 0h22 e, após uma escala para reabastecimento no Equador, seguiu rumo ao aeroporto Opa-Locka, em Miami (EUA), com previsão de pouso na manhã de hoje por volta das 10h40 (horário de Brasília).
O trajeto planejado evitou deliberadamente a passagem pelo espaço aéreo brasileiro. A manobra logística ocorreu em manifesto desrespeito à determinação da Justiça que havia proibido Flávio Bolsonaro de deixar o país e ordenado a entrega imediata de seus passaportes à Polícia Federal. O prazo fixado expirou às 11h de terça-feira sem o cumprimento da ordem.
O braço de Milei e as conexões da Baires Fly
A Baires Fly, empresa responsável pelo transporte do senador e sua família, tem laços diretos com o próprio presidente argentino. Em novembro de 2023, Milei utilizou uma aeronave da mesma companhia em viagem oficial aos Estados Unidos, pilotada por Luis Grande, proprietário formal da empresa.
Segundo apuração da Revista Fórum com base em documentos judiciais e registros públicos argentinos e norte-americanos, a Baires Fly é investigada no escândalo da Agência Nacional de Deficiência (ANDIS) da Argentina. O caso apura suspeitas de direcionamento de contratos, superfaturamento e lavagem de dinheiro durante a gestão de Milei. Empresas fornecedoras da agência estatal transferiram 95 milhões de pesos argentinos para a Baires Fly em setembro de 2025. Investigadores apontam que a aquisição simulada de “quilômetros” em aeronaves teria sido empregada para legalizar recursos de origem irregular.
Além disso, o intermediário de negócios da Baires Fly, Sergio Daniel Mastropietro, responde a processo por lavagem de ativos e associação ilícita. Mastropietro mantinha sociedade com o empresário argentino Federico “Fred” Machado, acusado nos Estados Unidos de integrar um esquema internacional de tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro. Machado foi extraditado da Argentina em 2025 e se declarou culpado na Justiça norte-americana por conspiração para lavagem de dinheiro e fraude.
Articulação internacional da extrema direita
A atuação do governo Milei foi marcada por contradições. Negou inicialmente a entrada de Flávio Bolsonaro, mas voltou atrás e confirmou o embarque quando o voo já era rastreado pela imprensa. Temendo a prisão no Brasil, o senador contou com o aval explícito da extrema direita internacional. O Departamento de Estado norte-americano concedeu vistos à família e um conselheiro de Donald Trump declarou que o líder republicano aprovou pessoalmente a entrada do grupo nos Estados Unidos.
A engenharia da operação, com travessia terrestre noturna, embarque em jato ligado ao círculo de Milei e rota desenhada para desviar do espaço aéreo brasileiro, expõe a coordenação transnacional para garantir a fuga de Flávio diante das ordens do STF.
O episódio escancara a rede de proteção articulada entre o governo ultraliberal argentino e o núcleo bolsonarista sob o beneplácito do conservadorismo norte-americano.
A articulista Megale do jornal O Globo publicou que o plano de fuga de Flávio Bolsonaro foi organizado antes das eleições e que quase teria sido descartado após a vitória do senador no primeiro turno. Eduardo Bolsonaro e outros golpistas radicados nos EUA teriam articulado a escapada vergonhosa do filho 01 de Jair Bolsonaro.
Por Davi Dmolir





