Na Assembleia da ONU, 130 países votam pelo fim do bloqueio dos EUA contra Cuba

Resolução recebeu 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções; chanceler cubano denuncia pressão e chantagem de Washington sobre países-membros

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quarta-feira (28), por 130 votos a 17 e 25 abstenções, uma resolução que pede o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba.

A ampla maioria manteve o apoio à ilha, mesmo diante da pressão de Washington para mudar os votos. O número de apoios, porém, caiu em relação ao ano passado, quando 165 países votaram a favor, sete contra e 12 se abstiveram.

Alemanha e Itália, entre outros países ocidentais, abstiveram-se pela primeira vez em muitos anos. Os Estados Unidos comemoraram a mudança: o representante Mike Waltz disse esperar que mais países alterem sua posição.

Durante o debate, o chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla denunciou que Washington pressionou, intimidou e chantageou Estados-membros para que abandonassem a posição que mantêm há décadas.

Segundo ele, desde o início da sessão, os prejuízos causados pelo bloqueio somavam mais de US$22,9 milhões. Rodríguez afirmou que o cerco energético agrava a escassez de combustível, medicamentos e alimentos e atinge hospitais e famílias cubanas.

“Hoje a pressão é dirigida contra Cuba. Contra qual Estado poderá ser usada amanhã?”, questionou o chanceler. Ele classificou o bloqueio de combustível como punição coletiva e afirmou que as sanções violam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.

Na véspera da votação, as tensões entre as delegações cubana e norte-americana chegaram a um bate-boca nos corredores e no plenário da ONU. Waltz negou a existência do bloqueio e atribuiu as dificuldades econômicas de Cuba principalmente às políticas do próprio governo. Rodríguez rebateu as acusações e criticou a postura do representante dos EUA. “Isto é a ONU. É a capital do multilateralismo”, afirmou.

A resolução não é vinculante, mas expressa a posição da comunidade internacional. A Assembleia Geral pede o fim do bloqueio há mais de três décadas; apenas o Congresso dos Estados Unidos pode suspendê-lo.

Por Lucas Toth

Fonte
Vermelho

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