Moção de apoio

A incessante busca da liberdade, de ação, de locomoção e de expressão confunde-se com a própria história da humanidade, o que a faz, portanto, perene e imorredoura. Por esta busca, travaram-se longas e, às vezes cruentas revoltas, e, dentre elas, a dos escravos romanos, considerada pelo filósofo iluminista Voltaire como a única guerra justa, até o seu século, que foi o XVIII.
Para o filósofo alemão Imnanuel Kant, também do século XVIII, em sua Crítica da Razão Pura, a liberdade é o pilar sobre o qual se assenta a lei moral.
No Brasil, felizmente, a liberdade foi consagrada como valor supremo da República Federativa pela Constituição de 1988, passando, a partir dela, a se constituir em viga mestra do Estado democrático de direito, em cotidiana construção e ampliação, desde então.
Desse modo, não se pode conceber que a liberdade de expressão não se apresente como o alicerce de uma só que seja repartição, entidade e instituição, e que, portanto, não seja por ela cultivada e incentivada.
Não é sequer crível que em uma universidade, que em sua etimologia “Universitas” significa o todo, o Universo, o conjunto das coisas, inclusive a liberdade, é por demais óbvio.
Por tudo isto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), representante, em âmbito nacional, de aproximadamente 1 milhão de profissionais da educação escolar, manifesta a sua mais contundente discordância com a atitude dos Gestores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) de processar criminalmente o Presidente da Associação de seus professores, a Apuc, Professor Orlando Lisita Júnior, e o da Associação de seus servidores técnicos, a ASC, Carlos Roberto, pelo simples fato de demonstrarem, por meio de nota pública, divulgada em agosto de 2013, as suas justas e veementes discordâncias com o modo de gerir aquela instituição, no tocante às relações acadêmicas e de trabalho, que traz crescentes e irreparáveis prejuízos à democracia interna e, por conseguinte, à transmissão e construção dos saberes múltiplos, inerentes às universidades (universitas).
Inegavelmente, Senhores(as) Gestores(as), a comentada atitude demonstra, de plano, a negação do mais sagrado direito do ser humano: a liberdade, bem como inadmissível intolerância ao contraditório e à diversidade de pensamento, alicerces maiores de qualquer instituição de ensino.
Sabedora de que a instituição que dirigem caracteriza-se como uma das mais notáveis do Centro-Oeste, com mais de 50 anos de respeitáveis serviços de ensino, pesquisa e extensão à comunidade dessa região, a Contee conclama-os à retomada do diálogo e à reconstrução do todo universal, retomando-se o conceito de “Universitas”, que jamais prescindiu e jamais prescindirá da mais viva e plena liberdade de expressão.
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee





