Ativismo começa pelo fim de todas as violências contra as mulheres

Por Marcos Aurélio Ruy

Bem no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres – 25 de novembro – começam os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. “Mesmo que no Brasil começamos mais cedo, no Dia da Consciência Negra, ficando 21 dias de ativismo, é muito importante lembrar essa data, que inicia a campanha em mais de 160 países”, argumenta Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

A começar pela história dessa data, definida no 1º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, na capital da Colômbia, Bogotá, em 1981. As feministas da América Latina homenagearam as irmãs Mirabal. Patria, Minerva e Maria Teresa, conhecidas como As Mariposas, por sua resistência à ditadura na República Dominicana.

Em 25 de novembro de 1960, elas foram interceptadas ao regressar de uma visita aos seus maridos presos pelo regime. Foram detidas e brutalmente assassinadas em simulação de um acidente. Qualquer semelhança com “acidentes” acontecidos no Brasil no período da ditadura (1964-1985) não é mera coincidência. Nos anos 1960/70 a América Latina vivia sobre a égide de fúrias ditatoriais.

Denominado primeiramente como Dia Internacional pela Não-Violência Contra a Mulheres, foi decidido em Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), como Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres ganhando amplitude ainda maior.

“Importante protestarmos sempre porque a violência contra a mulher é sempre muito maior do que contra os ativistas homens”, acentua Gleicy Blank, secretária da Mulher da CTB-ES.

Flora Lassance, secretária da Mulher da CTB-BA destaca também um dado do Fórum Econômico Mundial, pelo qual as mulheres só conseguirão ganhar salário igual dos homens em 2095 “pelo andar da carruagem do combate às desigualdades salariais entre os sexos no Brasil”.

Como diz a música Triste, Louca ou Má, de Juliana Strassacapa

Para ela, “a desigualdade entre os salários de homens e mulheres também é um tipo de violência e das mais perversas”. E por falar em violência, Michely Coutinho, secretária da Mulher da CTB-GO lembra da manifestação do sábado (4) Bolsonaro Nunca Mais, onde “as mulheres estarão nas ruas para gritar contra esse desgoverno” tão “destruidor de direitos e das conquistas que tivemos ao longo dos últimos anos”.

Já Luciana Tenório, secretária da Mulher da CTB-AL, fala sobre os efeitos da pandemia na vida das mulheres. “Com o isolamento, a sobrecarga de trabalho ficou muito maior”, lamenta. Além de um “crescimento vertiginoso da violência doméstica”. Segundo ela, as notificações até diminuíram, mas por causa “da dificuldade em denunciar”.

De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma em cada quatro mulheres diz ter sofrido algum tipo de violência de meados de 2020 a meados de 2021. E o 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta para 3.913 mulheres assassinadas, em 2020, sendo 1.350 dos crimes determinados como feminicídio.

A violência já começa cedo. Segundo o anuário, 60,6% dos mais de 60 mil estupros, ocorridos no ano passado, foram meninas de até 13 anos e 85,2% dos crimes foram cometidos por pessoas conhecidas das vítimas.

Por isso, “é essencial”, diz Maribel Moreira, secretária da Mulher da CTB-RS, “intensificarmos as discussões sobre violência de gênero no país” para “mostrar que as mulheres seguirão firmes na disposição de conquistar a equidade e de poderem viver como querem e merecem”.

Paula Bandeira, secretária da Mulher da CTB-CE, lembra que, desde 2007, 6 de dezembro é marcado como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. “Uma data fundamental para dialogarmos com os homens que entendem a violência como perniciosa para todo mundo”, diz. “As mulheres sofrem muitas violências desde que nascem” por isso “precisamos nos unir e trazer para a nossa luta quem realmente quer o fim da violência”.

Maria de Jesus da Silva, recém-empossada presidenta do Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar em Estabelecimento Particular de Ensino no Distrito Federal, ressalta o crescimento do número de mulheres trabalhando na informalidade. “A pandemia agravou a crise econômica que já vinha crescendo e as mulheres são as que mais sentem os efeitos da crise”. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre de 2021 o desemprego tingiu 17,9% das mulheres e 12,2% dos homens.

Para Elessandra Reis Batista, secretária da Mulher da CTB-RO, “ser mulher no Brasil é muito difícil, mas a resistência tem sido à altura das dificuldades”. Heloísa Gonçalves de Santana, secretária da Mulher da CTB-SP, afirma que a luta das mulheres é para “viver sem medo, em paz e pelo direito à felicidade plena”.

Celina finaliza destacando que “ninguém vai nos tirar das redes, das ruas e da resistência ao machismo e a todo tipo de violência”. Ela lembra a existência da Lei Maria da Penha, desde 2006 e da Lei do Feminicídio, desde 2015. “precisamos pressionar os poderes públicos e o judiciário para atuarem de acordo com as leis”, define.

De acordo com Celina, “o dia 4 de dezembro entrará para a história como o dia em que as mulheres derrotaram esse desgoverno misógino, racista, LGBTfóbico e destruidor dos direitos da classe trabalhadora”.

CUT

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