Atos no Brasil rechaçam ofensiva dos EUA e denunciam ameaça à América Latina
Mobilizações marcadas para esta segunda-feira (5) cobram respeito à soberania venezuelana, condenam o sequestro de Maduro e alertam para riscos à paz regional
Manifestações em solidariedade ao povo venezuelano e em repúdio à ofensiva militar dos Estados Unidos tomam as ruas de várias cidades brasileiras nesta segunda-feira (5). Os atos denunciam a violação do direito internacional, o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, e alertam para os riscos à soberania e à democracia em toda a América Latina. As mobilizações integram uma jornada nacional e internacional de protestos que se intensificou após a operação norte-americana na Venezuela .
Centrais sindicais, movimentos populares e organizações da sociedade civil afirmam que a agressão à Venezuela extrapola as fronteiras do país e ameaça a estabilidade regional. Para as entidades, o ataque expressa uma escalada imperialista que desrespeita a autodeterminação dos povos, busca controlar recursos estratégicos e abre um precedente perigoso para toda a América Latina e o Caribe. Nesse sentido, as manifestações defendem a libertação imediata das lideranças venezuelanas, reafirmam o compromisso histórico da região com a paz e cobram do Estado brasileiro — por meio de seus poderes e da diplomacia — um posicionamento firme de condenação à ofensiva militar.
A União Nacional dos Estudantes (UNE) destaca o protagonismo da juventude na defesa da soberania latino-americana. “Os estudantes brasileiros não compactuam com a tirania norte-americana de impor sua política autoritária e militar nos países da América Latina!”, afirma a entidade em nota.
Em novo chamado à mobilização, a UNE critica o discurso que tenta justificar intervenções militares como ações humanitárias. “Bombardeios, intervenções e guerras seguem sendo vendidos como “missões humanitárias”, mas quase nunca têm a humanidade como prioridade. Por trás do discurso moral, o que se repete é a lógica do interesse: controle de territórios, acesso a recursos, rotas estratégicas, poder econômico e geopolítico. Não aceitaremos que essa lógica avance sobre a América Latina. Somos povos soberanos. Nossa terra, nossos recursos e nosso futuro não estão à venda! Segunda-feira, dia 5, nossa resposta será nas ruas”, convoca a entidade.
Onde e quando acontecem os atos (05/01)
São Paulo (SP) – Em frente ao Consulado dos EUA – Av. Henri Dunant, 500 – Chácara Santo Antônio (Zona Sul) | 16h
Rio de Janeiro (RJ) – Cinelândia | 16h
Brasília (DF) – Museu Nacional da República | 17h
Salvador (BA) – Praça da Piedade | 16h
Belo Horizonte (MG) – Praça Sete | 17h
Porto Alegre (RS) – Consulado dos EUA | 17h
Além desta segunda-feira, a agenda de solidariedade segue com novos atos:
08/01 – Fortaleza (CE) – Praça do Ferreira | 15h
10/01 – Brasília (DF) – Jornada Nacional de Solidariedade, com ato unificado na capital federal
Condenação internacional e reação diplomática
As manifestações desta segunda-feira ocorrem em paralelo a uma reação diplomática de grande alcance. Em comunicado conjunto publicado neste domingo (4), os governos do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanharechaçaram a operação militar executada pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente venezuelano. O documento reafirma o compromisso com a Carta das Nações Unidas, a solução pacífica de controvérsias e o caráter da América Latina e do Caribe como zona de paz. Leia a íntegra da nota conjunta abaixo:
Os Governos do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, à luz da gravidade dos acontecimentos na Venezuela e reafirmando seu compromisso com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, expressam conjuntamente as seguintes posições:
1. Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça da força, e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas. Essas ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regional e colocam em risco a população civil.
2. Reiteramos que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem interferência externa e em conformidade com o direito internacional. Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana.
3. Reafirmamos o caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção, e apelamos à unidade regional, para além das diferenças políticas, face a qualquer ação que ponha em risco a estabilidade regional. Exortamos também o Secretário-Geral das Nações Unidas e os Estados-Membros dos mecanismos multilaterais relevantes a usarem os seus bons ofícios para contribuir para a redução das tensões e a preservação da paz regional.
4. Expressamos a nossa preocupação relativamente a qualquer tentativa de controlo governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, que seja incompatível com o direito internacional e ameace a estabilidade política, económica e social da região.
Para os organizadores dos atos no Brasil, a combinação entre mobilização popular e pressão diplomática internacional é fundamental para conter a escalada intervencionista e garantir o respeito à soberania venezuelana. As entidades reforçam o chamado à participação popular nas manifestações desta segunda, destacando que a defesa da Venezuela é, também, a defesa da paz e da autodeterminação de toda a América Latina.
com agências





