Eleição na Colômbia marca novo tempo na América Latina

Gustavo Petro e Francia Márquez são os primeiros representantes da esquerda eleitos no país. Já na França, coalizão de esquerda também ampliou significativamente sua participação no Parlamento

Na Colômbia, Gustavo Petro se tornou, neste último domingo (19), o 1° presidente de esquerda eleito no país. Na França, a coalizão das principais forças de esquerda, articulada por Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, conquistou 131 cadeiras no Parlamento e tirou do presidente Emmanuel Macron a maioria no Legislativo.

Nos dois cenários, tem-se importante avanço da esquerda na geopolítica mundial, em momento de profunda crise do neoliberalismo, responsável pelo crescimento do desemprego, da pobreza e da desigualdade em todo o mundo.

Os dois resultados ainda aumentam a esperança e a expectativa para que no Brasil, no próximo mês de outubro, a direita neoliberal e a extrema-direita — ambas representadas pelo governo Jair Bolsonaro — também sejam derrotadas.

Dentro da decisão da Diretoria Executiva da Contee de voltar os olhos para a América Latina e priorizar a relação com a CEA (Confederação dos Estados Americanos), a coordenadora da Secretaria de Relações Internacionais, Cristina Castro, comentou, sobretudo, o simbolismo da eleição colombiana.

“A vitória na Colômbia representa a possibilidade de a nossa América-mãe se tornar de fato acolhedora. E isso abre espaço e perspectivas para que o Brasil também retome sua democracia”, comemorou Cristina.

“A Colômbia nunca viveu essa experiência. E acho que é uma possibilidade fascinante, em que de fato poderá ser representada por alguém que tem, na trajetória de vida, a luta em defesa do povo. Gustavo Petro e Francia Márquez (vice-presidenta eleita) fazem parte do segmento da sociedade que quer a Colômbia soberana, desenvolvida, igualitária, com direitos para todas as pessoas.”

A diretora da Contee se disse “extremamente emocionada por ter uma mulher negra como vice-presidenta, com uma trajetória de vida tão fascinante”.

“Acho que temos o nascer da esperança na América”, exaltou.

Derrota para o imperialismo

O professor Gilson Reis também destacou que “a eleição ontem na Colômbia, com a vitória do Gustavo Petro, demarca novo tempo na América Latina”.

“O único país que não tinha passado, ao longo de sua história republicana, pela eleição de um campo da esquerda democrática, era a Colômbia. Outros países já tinham experimentado uma eleição desse campo, mas a Colômbia sempre muito influenciada pelos interesses do império norte-americanos, fazendo, inclusive, um jogo sujo em relação à Bolívia, à Venezuela e ao Equador”, analisou Gilson.

“Ali sempre houve uma posição muito pró-imperialista. Os governos que ali passaram foram governos de estrita confiança do Departamento de Estado norte-americano. E a derrota desse campo ontem na Colômbia representa uma derrota do império norte-americano”, avaliou.

Cereja do bolo

“Não sabemos ainda qual será ainda a força do Gustavo Petro para fazer as mudanças necessárias que a Colômbia tanto precisa, tanto nas áreas social, econômica e ambiental, mas também na área da política internacional e da influência negativa que os Estados Unidos têm sobre aquele país”, ponderou o professor. “Mas a vitória na Colômbia é um processo de acumulação de forças de países que vêm trocando seus governos liberais, neoliberais e de extrema direita por governos progressistas. Isso aconteceu no México, na Argentina, no Chile, na Bolívia… E, com isso, vamos vendo uma nova configuração geopolítica na América Latina.”

Segundo Gilson, “para colocar a cereja nesse bolo, o que falta agora é, em outubro, no Brasil, Lula ser eleito presidente da República e ter condições de conduzir o País ao ciclo histórico progressista na América Latina”.

“Diante da crise norte-americana, o Brasil e a América Latina podem jogar outro papel no próximo período. E o Brasil pode, a partir da eleição do Lula, voltar a coordenar e a influenciar, de forma muito poderosa e muito forte, essa reconstrução da América Latina”.

Por isso, para o professor, “essa eleição de ontem representa, possivelmente, a mais importante vitória eleitoral deste século aqui na região. E, consequentemente, a eleição no Brasil se somará a essa vitória e à construção de um novo pacto dos países de Língua Portuguesa e Língua Espanhola no continente e uma nova articulação nesse tabuleiro geopolítico internacional.”

Táscia Souza

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