Nossa tarefa sindical é assegurar que não haja retrocessos
Por Cristina Castro*
A primeira conferência “Encontro contra o Fascismo e pela Soberania dos Povos”, realizada entre os dias 26 e 29 de março de 2026, em Porto Alegre, foi um marco histórico. Reunindo milhares de participantes, dezenas de organizações e representantes de diversos países, o encontro consolidou um espaço internacional de articulação contra o avanço da extrema direita e em defesa da soberania dos povos. Foram debatidos temas centrais da conjuntura mundial, como o avanço do imperialismo, o crescimento do neofascismo, as lutas feministas, antirracistas e da classe trabalhadora. Mas, para nós brasileiros, diante de tudo que foi exposto, um ponto se destacou com muita força: a centralidade das eleições , sendo a forma de impedir qualquer retrocesso político no país.
A conferência não apenas aprovou uma potente carta política, como também afirmou a necessidade de construção de uma unidade internacional e nacional para enfrentar o fascismo. Ao longo de quatro dias, com diversas mesas e atividades autogestionadas, ficou evidente que o avanço da extrema direita é um fenômeno global e que a resposta também precisa ser articulada internacionalmente, envolvendo movimentos sociais, sindicatos, partidos e organizações populares.
Nesse sentido, é fundamental destacar que a Secretaria de Relações Internacionais da Contee se fez presente por meio da coordenadora-adjunta Mara Kitamura, diretora da CTB e que cumpre importante tarefa nacional na Central. Sua participação reforça o compromisso sindical na luta e reafirma a importância da educação como uma ferramenta transformadora da sociedade e o papel estratégico dos sindicatos da educação neste momento histórico, na formação crítica, na defesa da democracia e na construção de um projeto de país soberano e socialmente justo.

Ao mesmo tempo em que essa importante articulação antifascista acontecia em Porto Alegre, ocorria também, nos Estados Unidos, a Conservative Political Action Conference (CPAC), realizada entre os dias 26 e 28 de março de 2026, em Dallas, Texas. Um evento que reuniu lideranças conservadoras de diversos países e que demonstrou o que a direita brasileira pretende. As intervenções evidenciaram um projeto político oposto: um Brasil subordinado, com discursos que apontam para o alinhamento automático e a submissão aos interesses dos Estados Unidos. Nada de desenvolvimento soberano.
Diante desse cenário, nós, sindicalistas, temos uma tarefa urgente e inadiável: fortalecer a unidade com organização para impedir que a direita avance no Brasil. Não podemos permitir que esse campo político conquiste vitórias nas eleições, sejam para o legislativo ou executivo, especialmente em um momento decisivo como o de 2026, quando estarão em disputa diversos cargos fundamentais para o futuro do país.
Temos, portanto, um compromisso histórico. Sabemos que as demandas imediatas dos sindicatos, as negociações, a defesa de direitos e a garantia de conquistas para os trabalhadores e trabalhadoras, são centrais e permanentes. No entanto, neste momento, a tarefa estratégica de enfrentar o avanço da direita e do fascismo não pode ser tratada como secundária. Ela precisa estar no centro da nossa ação política.
O cenário internacional já nos mostra o crescimento da extrema direita em diversos países, colocando em risco direitos sociais, liberdades democráticas e a soberania dos povos. E é justamente por isso que precisamos agir com firmeza: não podemos permitir que esse projeto retorne e se consolide no Brasil.
*Cristina Castro é coordenadora da secretaria de Relações Internacionais




