Pesquisa mostra que brasileiros são favoráveis ao ensino de política e questões sociais nas escolas

Uma pesquisa encomendada pelo ICL revelou que a maior parte da população brasileira defende que a escola é espaço de formação de pensamento crítico e que a educação deve apresentar pluralidade de ideias.

Ao serem perguntados se a escola deve ensinar política e questões sociais, 44% dos entrevistados afirmaram que sim e que os jovens precisam aprender a pensar criticamente. Outros 30% também concordam, desde que haja pluralidade de ideias e sem extremismo.

Entre os contrários ao ensino de política e questões sociais, 14% acreditam se tratar de doutrinação ideológica e outros 9% defendem que essas pautas devem ser debatidas apenas dentro das famílias. Quando é feito o recorte da orientação política, o cenário mostra que 25% dos entrevistados que se identificam como de direita consideram doutrinação o ensino de política e questões sociais.

Alienação x pensamento crítico

Apesar do resultado positivo da pesquisa e da derrota na Justiça de movimentos como o Escola Sem Partido – que defende uma suposta neutralidade do ensino e põe em xeque a liberdade de cátedra –, ainda persistem iniciativas de reforma educacional antidemocrática no Brasil.

Para Madalena Guasco, coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais da Contee, o Escola Sem Partido tem sido aplicado na prática através da orientação da direita e da ultra direita contra a escola crítica. “Esse ataque diz que em nome da defesa da família a escola não pode nem ser uma escola inclusiva nem democrática”, afirma. “Eles defendem uma escola que submete politicamente os alunos de forma autoritária e defendem também uma subjetividade antidemocrática.”

A dirigente explica que o ensino de política é por essência um ensino crítico. “Eles querem um sujeito alienado, que não saiba se colocar diante da realidade, dos desafios, que seja passível de dominar facilmente. Já nós queremos um sujeito que consiga tomar suas próprias decisões e que analise a luta como uma luta de disputa”, diz.

A disputa é política e educacional. Diversos projetos de lei que promovem a censura nas escolas têm sido apresentados em assembleias legislativas e câmaras municipais, assim como políticas públicas têm sido elaboradas por governadores da extrema-direita para cercear a Educação.

Na última semana, o Supremo Tribunal Federal declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade da lei que instituiu o Escola Sem Partido no município de Santa Cruz de Monte Castelo (PR). A lei entrou em vigor em 2014 e, na opinião do STF,  invadiu prerrogativa da União para legislar sobre matérias que envolvem o tema da educação. Foram também consideradas inconstitucionais iniciativas em Minas Gerais, Alagoas e em dezenas de municípios.

A Contee tem se posicionado de modo firme contra movimentos como o Escola Sem Partido que, além de impor valores particulares sobre a Educação, promove a perseguição aos professores e fere a liberdade de cátedra. A Confederação defende e luta por uma Educação livre, que forme cidadãos críticos e que permita o exercício pleno da cidadania.

Por Andressa Schpallir

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
666filmizle.site