Retomada de aulas presenciais na pandemia apresenta risco três vezes maior a professores do que à população em geral

Nota Técnica da Rede Escola Pública e Universidade aponta que, em quatro semanas, 299 escolas da rede estadual de SP reportaram incidência 2,92 vezes superior de professores em relação à população adulta

A incidência de COVID-19 em profissionais de educação da rede estadual de São Paulo é quase três vezes maior do que na população paulista em geral.

Essa é uma das conclusões da Nota Técnica produzida pela REPU (Rede Escola Pública e Universidade) divulgada nesta terça (13). A entidade faz parte do Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

O levantamento aponta que, em quatro semanas, entre os meses de fevereiro e março de 2021, 299 escolas da rede estadual paulista reportaram incidência de COVID-19 2,92 vezes superior à de professores em relação à população de 25 a 59 anos de São Paulo (2.256 casos por 100 mil habitantes contra 773,1 casos por 100 mil habitantes).

O documento elaborado pela REPU com base em monitoramento realizado junto a escolas da rede estadual tem o objetivo de registrar e acompanhar os casos de Covid-19 após a retomada das atividades presenciais. A coleta de dados foi realizada em parceria com subsedes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo).

Leia a Nota Técnica na íntegra

O levantamento ainda mostra que, entre 7 de fevereiro e 6 de março, período de volta às aulas, a disparada na incidência de covid-19 entre professores foi de 138%, ante uma alta de 81% na população de 25 a 59 anos.

Com isso, os pesquisadores concluem que a retomada das atividades presenciais na rede estadual não pode ser considerada segura.

“O estudo desmonta toda a argumentação apresentada no Boletim Epidemiológico da Educação divulgado pela SEDUC-SP e feito totalmente à margem da SES/SP. Se foi preciso criar uma comissão de médicos dentro da SEDUC para respaldar os dados, é porque a secretaria de saúde não endossou. Os coeficientes de incidência de Covid-19 em escolas calculados pelo governo paulista NÃO podem ser usados para afirmar que as escolas sejam espaços incondicionalmente seguros. A SEDUC-SP faz propaganda política com dado epidemiológico!”, disse Fernando Cássio, professor da UFABC que é um dos pesquisadores do estudo e também é membro da REPU e da rede da Campanha.

A fala de Cássio se refere às falhas metodológicas do Boletim Epidemiológico da Educação do governo João Doria (PSDB).

A Campanha divulgou Nota Técnica na segunda (12) defendendo que “não é hora de retomar as aulas presenciais nas escolas e é preciso garantir as condições adequadas para a oferta do ensino remoto emergencial”. Leia a Nota Técnica da Campanha produzida com Observatório COVID-19 BR e Rede Análise Covid-19.

Campanha

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