Sinpro ABC: 40 anos de luta, educação e conquistas

Hoje, 13 de março de 2026, o Sindicato dos Professores do ABC celebra 40 anos de uma trajetória marcada pela luta, resiliência e inúmeras conquistas para a categoria. Fundado em 1984 como Associação Profissional dos Professores do ABC (APRO-ABC), o sindicato se oficializou em 1986, tornando-se uma voz ativa na defesa dos direitos trabalhistas e na promoção da educação de qualidade na região.
A Origem: Da Luta por Direitos Básicos à Organização Sindical

A história do Sinpro ABC começa nos anos 80, com uma pergunta entre amigos: “Por que não criamos nosso próprio sindicato?”. Naquela época, os professores enfrentavam a falta de direitos básicos, como férias garantidas e uma remuneração justa, e a ideia, que parecia distante, teve a necessidade de se tornar realidade.
“A categoria não tinha direitos”, lembra José Carlos, primeiro presidente do SINPRO ABC e um dos fundadores. “Nossas férias não eram garantidas no meio do ano. Os direitos eram muito ruins, muito difusos, muito ausentes. A hora-aula era péssima. O sistema de hora-aula não tinha uniformidade.”
O sindicato nasceu como resposta a essa realidade. “O sindicato veio para responder isso, para cuidar dos direitos da categoria”, afirma. A primeira sede era um espaço emprestado, compartilhado com outras entidades como a Apeoesp e a CUT. O entusiasmo era contagiante, e as assembleias chegavam a reunir centenas de pessoas. “As pessoas tinham muita vontade de participar, de mudar, de melhorar as coisas. A ditadura militar era um desastre a ser superado”, recorda José Carlos.
A primeira grande vitória veio em 1988, com a assinatura do primeiro Acordo Coletivo, que garantiu o piso salarial, a hora-atividade, bolsa de estudos para dependentes e o pagamento das janelas, direitos que hoje parecem óbvios, mas que foram duramente conquistados.

A Consolidação: Do Protagonismo Regional à Liderança Nacional
Ao longo das décadas, o sindicato expandiu sua atuação, unindo-se a outras entidades para fortalecer a luta em nível estadual e nacional. Edilene Arjoni, atual presidente, lembra que começou sua militância nos anos 90, destacando a importância do Sinpro ABC na formação da FEPESP e da CONTEE.
“O Sinpro ABC formou não só a si mesmo, como formou a federação”, destaca Edilene. “A gente ajudou a construir e sempre fez parte da entidade. O Sinpro ABC sempre teve o seu nome não só na nossa região, mas em nível estadual e nacional.”
Para Edilene, a luta atual do professor mudou significativamente. Se antes o foco era a conquista de direitos básicos, hoje o desafio é a manutenção desses direitos diante de uma conjuntura que busca precarizar o trabalho. “Professores e professoras acham que as férias e o recesso são força de lei. E não. As nossas férias coletivas, gozadas 30 dias ininterruptos são uma conquista sindical”, alerta. ” E tudo isso tem que ser reconquistado a cada negociação.”
Nessas quatro décadas, o SINPRO ABC acumulou conquistas que transformaram a vida da categoria:
- Primeiras convenções coletivas, assegurando direitos antes impensáveis.
- Avanços salariais e sociais, incluindo hora-atividade e bolsas de estudo.
- Campanhas de sindicalização que fortaleceram a organização.
- Defesa firme contra a precarização do ensino.
- Participação ativa em entidades nacionais e estaduais de trabalhadores.
- Criação de espaços de cultura, formação e convívio, como nossa biblioteca compartilhada, cursos e assembleias.
- Atuação decisiva durante a pandemia, protegendo vidas, empregos e priorizando a vacinação dos professores no ABC.
Essas vitórias mostram que a trajetória de um sindicato não se faz apenas com negociações, mas com coragem, solidariedade e compromisso.
Hoje, com quase 3 mil sindicalizados, o SINPRO ABC segue afirmando que educar é um ato político e que sindicalizar-se é garantir voz, direitos e futuro para todos os professores.
O Futuro: A Luta pela Valorização e o Coletivo
Ambos os líderes concordam que o futuro do sindicato e da profissão depende da capacidade de a categoria se manter unida e engajada. A luta, que um dia foi por direitos básicos, agora se volta para a dignidade do trabalho.
“A gente precisa da juventude, da alegria, e também da experiência dos que estão há muito tempo, dos que construíram tudo isso”, defende Edilene. José Carlos reforça a mensagem, enfatizando que a luta é coletiva. “O sindicato não é uma diretoria que tem um poder de polícia e obriga o patrão a pagar. O sindicato é uma entidade que organiza a categoria para fazer prevalecer seus direitos.”
Em 40 anos, o Sinpro ABC provou que a união dos professores é a força para a transformação. A trajetória da entidade, marcada por vitórias e desafios, mostra que, para garantir voz, direitos e futuro para todos os professores, é preciso seguir adiante. “Unidos, somos mais fortes. Unidos, seguimos transformando a educação”, conclui Edilene.







