Sinproep-DF: Quanto vale a vida de um docente para a economia?

Durante a pandemia do novo Coronavírus (COVID-19), os setores ligados ao ensino privado, em âmbito nacional, desencadearam uma desleal campanha pela volta às aulas nas escolas particulares, liderada pelo grupo Escolas em Movimento, que é formado por diretores e mantenedores de estabelecimentos particulares de ensino, com ramificação em todo o Brasil.

A campanha tem por objetivo pressionar os pais de estudantes a assinarem um documento afirmando que eles receberam “todas as orientações” e que têm “ciência dos possíveis riscos com relação à COVID-19”. Garante-se, de forma enganosa, que as unidades particulares estão prontas para a retomada das aulas com o devido cumprimento de todos os Protocolos de Segurança. (conforme o vídeo veiculado pelo Sinepe-Rio).

Sabe-se que a maioria das instituições, principalmente as de menor porte, não tem condições financeiras de arcar com os custos para o cumprimento desses protocolos. A campanha faz coro com a ideia do negacionismo contrário ao distanciamento social recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tido por esses setores como “confinamento” prejudicial à sociabilidade das crianças.

Ao mesmo tempo, a campanha faz ilações contra professores e professoras, com o objetivo de jogar as famílias e a sociedade contra os profissionais da educação, colocando-os como irresponsáveis e contrários à necessidade dos pais que precisam trabalhar e não têm onde deixar seus filhos.

Essa ideia faz com que a escola se torne somente um abrigo de crianças, e não um espaço pedagógico, de aprendizagem cognitiva, onde os estudantes da Educação Infantil começam a sua formação. É na primeira infância que se situam as bases para o desenvolvimento da inteligência da criança. Portanto, entender o espaço escolar como simples abrigo de meninos é subtrair a importância da escola no seu papel socializador do conhecimento e no seu dever de atuar na formação moral dos alunos, bem como na  promoção do pleno desenvolvimento do indivíduo como cidadão.

Por esse posicionamento atroz, de negacionismo do perigo a que estão expostos os professores, as professoras e os funcionários das escolas, com a volta intempestiva das aulas presenciais, autoridades brasileiras foram denunciadas por mais de 60 entidades, centrais, confederações e sindicatos ligados aos trabalhadores e aos profissionais da saúde por genocídio e crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia.

Assim, o Sinproep-DF mantém a sua posição contrária à retomada das aulas presenciais neste momento, tendo em vista que o Distrito Federal continua, ainda, com índices altíssimos de mortes por conta da pandemia da COVID-19, o que, em nossa opinião, vai colocar em risco a vida de professores, funcionários e alunos, de forma desnecessária.

Reafirmamos nosso posicionamento contra as ações inconsequentes e criminosas que têm por meta unicamente garantir os interesses econômicos de alguns empresários que tratam a educação como mera mercadoria.

A vida do trabalhador da educação não tem preço. Por isso, em defesa da vida, devemos voltar com segurança.

A economia se recupera; a vida, não!

Diretoria do Sinproep-DF

Do Sinproep-DF

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