SinproSP: Audiência pública amplia denúncias contra a Unib

A greve e os graves problemas da Universidade Ibirapuera foram discutidos por estudantes e docentes durante a audiência pública, realizada na Assembleia Legislativa, dia 05 de setembro, a pedido do deputado Carlos Giannazi (PSol). De irregularidades pedagógicas a falcatruas trabalhistas e práticas antissindicais, os depoimentos mostraram que a situação na Unib é ainda mais grave do que se supunha até agora.

As denúncias, antes restritas ao âmbito trabalhista, agora atingem a questão educacional. A mantenedora foi acusada de reduzir carga horária em níveis inferiores ao determinado na legislação educacional, mantendo falsas grades de aulas para fugir da fiscalização, além de dificultar a entrega de histórico escolar e cobrar por ele. Carta redigida pelos alunos relacionam 18 problemas que têm atingido todos os estudantes (link logo abaixo). Há ainda a prática de disseminar falsas notícias sobre a greve e os professores, para tentar colocar os estudantes contra o movimento dos docentes.

Professoras e professores encontram-se em greve desde o dia 09 de agosto e reivindicam o pagamento dos salários atrasados, recolhimento da contribuição previdenciária e depósito do FGTS.  E a mantenedora, no lugar de pagar o que deve, decidiu agir de forma violenta para encerrar o movimento: tentou coagir os professores a assinarem um “termo de encerramento da greve”, com notificação extrajudicial ao sindicato.

A estratégia da Unib levou o SinproSP a ingressar com ação de dissídio de greve junto ao Tribunal Regional do Trabalho no dia 05/09. A audiência de conciliação está marcada para a quinta-feira, dia 08. “Incluímos essas notificações extrajudiciais no processo porque também estamos denunciando por prática antissindical. A greve é um direito constitucional e os professores estão paralisados porque não recebem salários”, afimou o professor Celso Napolitano, presidente da Fepesp e diretor do SinproSP.

Para Napolitano, o que está acontecendo na Unib não é novo: “É o velho problema da escola particular de ensino superior que transfere todo o dinheiro para a pessoa física e quebra a pessoa jurídica. São familias que se locupletaram dos recursos do Fies e quebram a mantida.”

Alunas e alunos de diferentes cursos reafirmaram apoio ao movimento e leram um comovente manifesto, exigindo respeito e dignidade da mantenedora. “Repudiamos qualquer tentativa de manipular nossas inquietações com inverdades, repudiamos as fake news, repudiamos a falta de honestidade em cumprir acordos feitos com professores que reivindicam seus direitos, repudiamos as falas não verídicas de profissionais em sala de aula”, diz o manifesto. “A Universidade Ibirapuera decidiu, como instituição, nos prender através da não liberação de nossos documentos de transferência de forma imediata, como é prática em outras instituições. Se vocês não nos permitem nos formar dignamente, com a certeza de que profissionais estão devidamente remunerados e respeitados, se vocês optaram também por não nos deixar ir, então vocês terão que nos ouvir!”

MANIFESTO DOS ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE IBIRAPUERA

Mais uma vez, o deputado Carlos Giannazi colocou o seu mandato a serviço da luta dos professores e estudantes. Ele ainda propôs a elaboração de um dossier, junto com o SinproSP, para levar as denúncias a diversas instâncias, como os ministérios públicos federal e estadual, as defensorias públicas e os órgãos responsáveis pela fiscalização do ensino superior privado.

Do SinproSP

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