Inépcia, obscurantismo e interesses privatistas cercam a educação

O site da revista Carta Capital noticiou hoje (5) a declaração de Jair Bolsonaro de que o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, pode ser demitido na próxima semana. Como destaca a matéria, “o ministro está no epicentro de uma grave crise no MEC que já resultou em mais de uma dezena de baixas de funcionários do alto escalão desde janeiro”.

Segundo levantamento do Metrópoles citado pela Carta Capital, foram nada menos do que 91 demissões em 87 dias — mais do que uma por dia — desde que o colombiano assumiu a pasta e um prejuízo de pelo menos R$ 171 mil, só com ajuda de custos, além do comprometimento do funcionamento do ministério, conforme informações do jornal Folha de S.Paulo.

O curioso é que Vélez Rodríguez, pivô da crise institucional, tem exatamente a cara do governo Bolsonaro: inepto, obscurantista e dono de uma ignorância perigosa. Um de seus mais recentes disparates — dizer o “último” seria subestimar sua capacidade, bem como a do próprio governo ao qual serve, de bradar asneiras — foi afirmar que haverá mudanças em livros didáticos para revisar a maneira como são retratados nas escolas o golpe de Estado que retirou o presidente João Goulart do poder, em 1964, e o regime civil-militar que se instaurou a partir de então pelos 21 anos seguintes.

Conforme o ministro, o que teria havido no Brasil há 55 anos não foi um golpe, mas uma “mudança de tipo institucional” que implementou não uma ditadura, mas um “regime democrático de força”. Nada muito diferente, há de se convir, do que a forma como o próprio Bolsonaro se comportou em ralação ao último 1° de abril, defendendo que as forças armadas celebrassem o aniversário de uma suposta “revolução” que nunca houve, mas que pretensamente livrou o Brasil de uma fantasiosa ameaça comunista. Até uma correspondência à Organização das Nações Unidas (ONU) foi enviada nesse sentido, evidenciando, em síntese, que o governo Bolsonaro e o ministro da Educação, sem seu revisionismo histórico — ou seria negacionismo? — levam o Dia da Mentira muito a sério.

“Nunca o Ministério da Educação foi comandado por uma pessoa tão despreparada como o indicado de Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez. O ministério já foi liderado por pensadores e pedagogos, como Darci Ribeiro e Renato Janine Ribeiro. Agora temos um ministro desqualificado, um acinte à educação”, disse o coordenador-geral da Contee, Gilson Reis, ao avaliar a audiência com o ministro na Câmara na semana passada. A descrição poderia muito bem se referir à totalidade do governo: um presidente como Bolsonaro também é um acinte ao Brasil. E continuará sendo, mesmo que acabe de fritar Vélez Rodríguez e coloque em seu lugar, como especulado pelo Brasil 247, o senador e empresário tucano Izalci Lucas, um dos aliados de primeira ordem dos privatistas do setor educacional. Um outro tipo de perigo, com outra cara. Seguirá em desmanche a educação.

Por Táscia Souza

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