Vira voto: Artistas lançam música pelo voto útil em Lula; assista o vídeo

Nomes consagradas do cinema, TV, teatro e da MPB participaram da gravação de uma música “vira vira voto”; assista

Diversos setores da sociedade estão engajados na reta final da campanha eleitoral para eleger o ex-presidente Lula (PT), o primeiro colocado nas pesquisas de intenções de voto, já no primeiro turno, em 2 de outubro.

A possibilidade concreta de Lula vencer o pleito no primeiro turno e os percentuais de eleitores do terceiro e quarto colocados na disputa pela presidência da República, respectivamente o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) e a senadora Simone Tebet (IMDB-MS), estimularam a campanha pelo voto útil, aquele dado por um eleitor que não tinha o candidato como primeira preferência, mas que faz a escolha visando encerrar a disputa sem necessidade do segundo turno.

De acordo a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21), Lula tem 44% das intenções de voto no primeiro turno das eleições, dois pontos porcentuais a mais do que no levantamento anterior, do dia 14 de setembro, e tem dez pontos de vantagem em relação ao presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, que manteve os 34% de intenções de voto.

Mais: Entre os 47% que declararam voto em Ciro, 51% disseram que podem mudar a decisão. Dos 44 que declararam voto em Tebet, 56% afirmaram que podem mudar o voto até o dia 2 de outubro.

Com isso e querendo mudanças nos rumos do Brasil, artistas como Nando Reis, Caetano Veloso, Denise Fraga, Mart’nália, Drica Moraes, Daniela Mercury, Gal Costa, Cissa Guimarães, Maria Bethânia, entre outras consagradas no cinema, TV, teatro e na MPB participaram da gravação da canção “vira vira voto”, em apoio à candidatura do ex-presidente Lula (PT), primeiro colocado em todas as pesquisas de intenções de voto.

“Vira vira voto vira vira vira/vira vira voto vira vira vira/vira o voto da Maria e o voto o João/vira o voto do colega, o voto do patrão/vira o voto do padeiro e do advogado/vira o voto do estudante e do seu namorado” … diz a letra da canção, que segue falando de coragem, resistência e esperança; tirar a arma da criança e outros ansios da sociedade.

Por que o voto útil

Em entrevista ao Brasil de Fato, a professora de ciência política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), afirmou que dois componentes se somam para fazer crescer o movimento por este “voto útil” nas eleições presidenciais de 2022.

O primeiro é algo que já existe há muito tempo, e tem relação com uma negação da política por grande parte da população.

O outro é a ameaça representada pela candidatura de Bolsonaro.

“Tem aquele eleitor que vê a política como perda de tempo, que diz: ‘não quero sair de casa mais uma vez para votar’, isso não é novidade. Mas existe também o medo de que o resultado das urnas não seja respeitado. Não estamos diante de uma eleição normal, temos um extremista com viabilidade eleitoral, o Bolsonaro. Em 2018 foi a primeira vez que isso aconteceu: um candidato de extrema-direita com viabilidade. Isso nunca tinha acontecido na nova República”, pontua.

Para Goulart, uma eventual vitória de Lula em primeiro turno diminuiria a chance de contestação dos resultados – uma ameaça constante de Bolsonaro há muito tempo, já que a escolha do presidente aconteceria junto com a eleição de milhares de parlamentares pelo país. Em tese, se levar a cabo a ideia de rejeitar o resultado das urnas, Bolsonaro não encontraria eco, já que a eleição de Lula aconteceria no mesmo dia de vitórias ou reeleições de deputados, senadores e até governadores que venham a ganhar também sem necessidade de segundo turno. Nesse contexto, o voto útil ganha importância.

“O voto útil é comum em todo lugar do mundo. Em uma eleição há espaço para novas propostas, ideias, programas. Mas quando a campanha vai avançando, vai havendo diferenciação entre as que de fato têm viabilidade eleitoral e as que não têm. É muito provável que, quanto mais perto da reta final, votos em candidatos que não se viabilizam eleitoralmente tendam a migrar para outras candidaturas”, explica.

O cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), aposta em um movimento de migração de votos nestes últimos dias de campanha, especialmente no caso de potenciais eleitores de Ciro. Para ele, parte dos apoiadores do pedetista deve migrar para Bolsonaro, mas a maior parte dos que mudarem o voto em cima da hora devem aderir a Lula, que, com isso, pode confirmar a vitória em primeiro turno.

Couto, responsável pelo canal “Fora da Política Não Há Salvação” no Youtube, aponta que “esta é uma eleição diferente de outras e há muita coisa em jogo”. Ele lembra que a tendência ao voto útil é comum nas retas finais de disputas eleitorais, em maior ou menor grau. Desta vez, porém, há uma motivação maior que a habitual, e a repulsa a Bolsonaro pode aumentar esse movimento.

“Quando olhamos para dados das pesquisas, vemos que pelo menos metade dos eleitores do Ciro, quando perguntados, dizem que podem mudar de voto. Da Simone Tebet é um número parecido. No caso do Lula ou do Bolsonaro, esse percentual é bem menor, fica entre 10% e 20%. Mudar em cima da hora estando vinculado a um candidato mais forte é muito menos provável que mudar quando se vota em um candidato mais fraco eleitoralmente”, comenta.

Com apoio do Brasil247

CUT

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