ONU exige investigação sobre ataque contra escola de meninas no Irã
165 pessoas morreram; Israel diz "desconhecer" os ataques
A Organização das Nações Unidas (ONU) pede que os ataques contra uma escola de meninas no Irã sejam investigados e alerta que o bombardeio poderia constituir um crime de guerra.
Num comunicado emitido em Genebra nesta terça-feira, a entidade não apontou culpados para os ataques que deixaram 165 mortos. Mas insiste na necessidade de que os autores sejam identificados e punidos.
O apelo vem no dia em que milhares de pessoas participaram dos funerais das crianças, no Irã.
“No incidente mais mortal e devastador, dezenas de meninas teriam sido mortas e feridas quando sua escola primária em Minab, no sul do país, foi atingida durante o horário escolar”, disse a ONU. “O Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, exige uma investigação rápida, imparcial e completa sobre as circunstâncias do ataque. Cabe às forças que realizaram o ataque investigá-lo. Exigimos que divulguem as conclusões e garantam a responsabilização e a reparação das vítimas”, pediu.
Para a entidade, o medo, o pânico e a ansiedade vivenciados por milhões de pessoas no Oriente Médio e em outras regiões são palpáveis – e eram totalmente evitáveis. “A situação está se agravando e se expandindo a cada hora, confirmando nossos piores temores”, disse a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
Türk afirma estar profundamente chocado com os impactos das hostilidades generalizadas sobre civis e infraestrutura civil desde que o conflito eclodiu no sábado com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, a resposta iraniana contra outros Estados da região, bem como a subsequente entrada do Hezbollah no conflito.
“As leis da guerra são cristalinas. Civis e bens civis são protegidos. Todos os Estados e grupos armados devem respeitar essas leis”, disse.
O Alto Comissário apela a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, impeçam uma escalada ainda maior e tomem todas as medidas viáveis para proteger civis, incluindo estrangeiros, bem como infraestruturas críticas. Retornar à mesa de negociações é a única maneira de pôr fim à matança, à destruição e ao desespero.
Até o momento, além do Irã e de Israel, as hostilidades afetaram outros 12 Estados, destruindo ou danificando residências, escritórios e empresas, aeroportos, infraestrutura energética, entre outras infraestruturas civis.
A ONU criticou todos os envolvidos no conflito.
“As forças armadas iranianas responderam aos ataques dos EUA e de Israel, lançando centenas de mísseis e drones, entre outros sistemas de armas, contra Estados em toda a região, matando civis e causando danos à infraestrutura civil”, disse. Na cidade israelense de Beit Shemesh, no centro do país, nove pessoas foram mortas quando um míssil atingiu uma área residencial.
“Estamos também profundamente preocupados com a escalada das hostilidades no Líbano, após o Hezbollah ter disparado uma série de projéteis contra Israel, e com os intensos contra-ataques israelenses, inclusive em Beirute. Exortamos ambas as partes a porem fim imediatamente a esta grave escalada de violência e a retomarem o cessar-fogo acordado”, afirmou.
A ONU ainda apontou que relatórios indicam que houve vítimas civis, danos à infraestrutura civil e um significativo deslocamento populacional em consequência dos ataques israelenses no sul do país e nos subúrbios do sul de Beirute. Informações recebidas apontam que quase 30.000 moradores fugiram das áreas afetadas durante a noite, somando-se aos 64.000 já deslocados.
“O direito internacional humanitário estabelece que qualquer ataque deve respeitar os princípios fundamentais da distinção e da proporcionalidade, e que devem ser tomadas precauções para proteger os civis. Ataques dirigidos contra civis ou bens civis, bem como ataques indiscriminados, constituem graves violações do direito internacional humanitário e podem configurar crimes de guerra”, afirmou.
Em todo o Irã, a ONU afirmou sua “profunda preocupação com o bem-estar da população, dado o histórico do governo de repressão com força letal em larga escala contra aqueles que se opõem ao seu regime e as novas ameaças de altos funcionários contra qualquer expressão de dissidência neste momento”.
“As autoridades são lembradas de sua obrigação, segundo o direito internacional dos direitos humanos, de salvaguardar as liberdades fundamentais dos iranianos”, disse.
“Também estamos preocupados com o fato de muitos iranianos estarem novamente sem acesso à internet e, portanto, com acesso limitado a informações essenciais, incluindo aquelas necessárias para buscar segurança em meio às hostilidades em curso. Exigimos o restabelecimento imediato dos serviços de telecomunicações”, insiste a ONU.
A entidade destacou ainda sua preocupação com o bem-estar de centenas de presos políticos que continuam detidos arbitrariamente no Irã. “Todos os esforços devem ser feitos para garantir sua proteção e instamos sua libertação imediata”, pediu.
Por fim, o Alto Comissário implora a todas as partes que recuperem o bom senso e ponham fim a esta violência. Ele apelou aos Estados para que defendam e respeitem a Carta das Nações Unidas, o direito internacional dos direitos humanos e o direito humanitário.





