O 46º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

Entre os dias 16 e 19 de abril de 2026, o Ginásio Poliesportivo de São Bernardo do Campo (SP) sediou o 46º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Sob o tema “Democracia e soberania: um Brasil do tamanho da nossa rebeldia”, o encontro reuniu delegações de todas as regiões do país, reafirmando o protagonismo do movimento estudantil secundarista na defesa da democracia, no combate às desigualdades educacionais e na formulação de políticas públicas voltadas para escolas mais seguras, acolhedoras e democráticas.

A agenda intensa de debates, plenárias, grupos de trabalho, atividades culturais e atos políticos culminou na eleição da nova diretoria nacional. Na plenária final de domingo, 19 de abril, foi eleita uma nova chapa, com 87,01% dos votos, para liderar a entidade no próximo biênio. A pernambucana Roberta Pontes assume a presidência da Ubes. O Congresso discutiu temas estruturantes, aprovou resoluções programáticas e fortaleceu alianças com movimentos sociais, entidades educacionais e órgãos públicos, como o Ministério da Educação.

Durante os quatro dias de atividades, os estudantes debateram questões urgentes da educação brasileira. A militarização das escolas, a violência escolar, o combate ao assédio, o fortalecimento dos grêmios estudantis e a discussão sobre a escala 6×1 foram os principais eixos temáticos. A militarização da educação emergiu como um dos pontos de maior tensão, refletindo a preocupação do movimento com modelos autoritários de gestão escolar.

No dia 17 de abril, o Ministério da Educação lançou um programa de fortalecimento dos grêmios estudantis durante o congresso, reafirmando o compromisso do governo com a participação estudantil nas escolas públicas de educação básica. A iniciativa visa estimular a criação e o fortalecimento de grêmios, ampliando o espaço de organização e mobilização juvenil nas instituições de ensino.

Durante a plenária final do 46º Congresso, realizada no sábado 18 de abril, centenas de estudantes secundaristas de todo o Brasil participaram do momento decisivo do encontro: a consolidação dos debates e a votação das teses e moções que orientam a atuação da entidade no próximo período. Ao longo da plenária, foram realizadas votações que definiram as principais diretrizes políticas da Ubes, com destaque para pautas como a defesa da educação pública, o enfrentamento às desigualdades, a permanência estudantil, o combate à evasão escolar, a valorização dos grêmios livres e a ampliação de direitos como o Passe Livre e a alimentação escolar de qualidade.

Roberta Pontes. Foto: Bernardo Guerreiro/Reprodução/Ubes

As teses, documentos que apresentam análises e propostas de atuação, refletiram diferentes visões e estratégias para a organização do movimento estudantil secundarista. As moções, que expressam posicionamentos políticos sobre temas urgentes e conjunturais, reafirmaram o compromisso da Ubes com a democracia, os direitos sociais e a soberania nacional. Os encaminhamentos finais dos grupos de trabalho contribuíram diretamente para a construção das resoluções aprovadas, consolidando o acúmulo político construído no congresso e apontando prioridades para as próximas mobilizações, campanhas e incidências institucionais.”

A nova diretoria eleita enfrenta desafios importantes, como a defesa da educação pública, a participação ativa da juventude nas eleições de 2026 e a democratização da comunicação estudantil. A Ubes reafirmou a importância de combater a abstenção juvenil e promover debates em escolas de todo o país, consolidando um projeto estratégico a partir da visão dos estudantes secundaristas.

O 46º Congresso aprovou uma Carta de Princípios que denuncia o avanço da extrema-direita, combate a violência nas escolas e reafirma o compromisso com a educação pública de qualidade. O documento representa a consolidação das pautas estudantis e orienta a atuação da entidade no próximo período.

O congresso representa um momento estratégico para a educação brasileira e reafirma a importância da aliança entre o movimento estudantil secundarista e os profissionais da educação organizados na Contee. As pautas levantadas pela juventude, como a militarização das escolas, o combate à violência, a defesa da escala 6×1 e o fortalecimento dos grêmios estudantis, encontram ressonância direta nas lutas históricas da Contee pela educação pública de qualidade, pela valorização profissional e pela democratização dos espaços escolares.

A Contee reconhece no movimento estudantil secundarista um ator político indispensável na construção de um Brasil mais justo, democrático e igualitário. As resoluções aprovadas no 46º Congresso convergem com as prioridades estratégicas da confederação para o biênio 2026-2028, consolidando uma frente de resistência contra a precarização do trabalho na educação e a imposição de modelos autoritários de gestão escolar. A confederação se coloca ao lado da Ubes nesta jornada, reafirmando seu compromisso de fortalecer a articulação entre trabalhadoras e trabalhadores da educação e estudantes na luta por uma educação democrática e transformadora.

A juventude brasileira continua mobilizada, consciente e protagonista na luta por direitos. A nova gestão inicia seu mandato com grandes desafios e a responsabilidade de representar milhões de jovens que acreditam no poder transformador da educação. O 46º Congresso da Ubes mostrou que o movimento estudantil secundarista permanece como força viva na construção de um Brasil mais democrático e igualitário.

Por Antônia Rangel

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