1º de Maio: trabalhadores vão às ruas por emprego, direitos, soberania e vida digna

O Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora, celebrado em 1º de maio, será marcado este ano por mobilizações em todo o território nacional sob o tema “Emprego, Direitos, Soberania e Vida Digna”. Diferentemente de edições anteriores, os atos deste ano ocorrerão de forma descentralizada, mas com pautas unitárias, refletindo o entendimento de que a luta por direitos precisa estar presente em cada cidade, cada território e cada local de trabalho.
A mobilização, apesar de capilarizada, mantém alinhamento nacional em torno de reivindicações construídas coletivamente pelas centrais sindicais e movimentos sociais. Entre os temas centrais, tem destaque a luta pela redução da jornada e pelo fim da escala 6×1, aquela em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso semanal.
A proposta, que já tramita no Congresso Nacional, propõe a redução da jornada semanal sem diminuição salarial, garantindo mais tempo livre, saúde e qualidade de vida para milhões de brasileiros.
A pauta ganhou força nos últimos anos a partir de mobilizações populares e encontrou eco entre parlamentares progressistas. No entanto, a pressão organizada da classe trabalhadora é decisiva para que o projeto avance em meio a resistências de setores patronais e da bancada conservadora no Legislativo.
“É uma pauta atual e urgente. A luta pelo fim da escala 6×1 expressa a necessidade de garantir condições dignas de vida, saúde e tempo para além do trabalho. A mobilização nesta data fortalece a organização coletiva e amplia a pressão social para que essa pauta avance. Não se trata apenas de reduzir horas, mas de afirmar um modelo de sociedade que valorize a vida, o tempo livre e os direitos da classe trabalhadora”, afirma Maria Marta, coordenadora da Secretaria de Formação da Contee.
As manifestações deste ano acontecem em um contexto eleitoral, o que confere ainda mais centralidade à data. Para as entidades sindicais, o 1º de Maio se torna um momento estratégico para tensionar o debate público e exigir que candidatos e candidatas a cargos executivos e legislativos se comprometam com as demandas reais de quem vive do trabalho.
“O 1º de Maio é uma data histórica de luta e de afirmação da classe trabalhadora, e em um ano eleitoral ganha ainda mais centralidade. É o momento de tensionar o debate público, colocando no centro da agenda política as pautas concretas de quem vive do trabalho”, destaca Maria Marta.
Segundo ela, o processo eleitoral precisa dialogar com questões como valorização profissional, garantia de direitos e construção de um projeto de país que enfrente as desigualdades. “O 1º de Maio, portanto, não é apenas memória, é também disputa de rumos e de projetos para o futuro”, completa.
Enfrentar o feminicídio é defender a vida das trabalhadoras
Outra frente de luta que estará presente nos atos descentralizados é o enfrentamento às múltiplas violências que atingem a classe trabalhadora, com destaque para o feminicídio. “O feminicídio expressa de forma brutal as desigualdades de gênero ainda estruturais na nossa sociedade. Combater o feminicídio é também defender condições dignas de vida, segurança e direitos para as mulheres trabalhadoras”, afirma Maria Marta.
A inclusão dessa temática na agenda do 1º de Maio reforça o entendimento de que vida digna não se resume a salário e jornada, mas abrange proteção, acolhimento e políticas públicas que combatam todas as formas de opressão.
Unidade e mobilização: as armas da classe trabalhadora
A realização de atos descentralizados com pautas unitárias representa um esforço concreto de articulação entre centrais sindicais, federações, sindicatos de base e movimentos populares. A Contee, como parte ativa desse processo, defende que a unidade é condição indispensável para avançar nas conquistas.
“Os atos são descentralizados, mas a pauta é única, assim como a nossa luta. Entregamos há duas semanas a Pauta da Classe Trabalhadora ao presidente Lula, em Brasília. Ela foi construída pelas centrais, em diálogo com as bases, e aprovada em uma grande conferência que reuniu trabalhadores e trabalhadoras de todo o Brasil”, explica Valéria Morato, coordenadora da Secretaria de Relações Sindicais e com o Movimento Social da Confederação. “São essas mesmas reivindicações que vão pautar nosso 1º de Maio e que vão direcionar as nossas ações no próximo período.”
A Contee chama a todos as federações e sindicatos filiados para se organizarem junto às suas bases. “Neste 1º de Maio de 2026, a classe trabalhadora vai às ruas não apenas para celebrar conquistas históricas, mas para indicar qual Brasil queremos para viver. Em cada ato, estará em jogo o futuro do trabalho, dos direitos e da democracia no País. Principalmente em um ano que vamos decidir pelo avanço, com Lula, ou pelo retrocesso, com o retorno da extrema-direita ao poder.”
Valéria ainda destaca que os últimos anos foram de retomada e avanços, e isso não pode ser colocado em risco. “Em 2022, entregamos uma pauta para o presidente Lula, então candidato. Dessas demandas, muitas foram concretizadas, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, a retomada da política de valorização do salário mínimo, a volta do Ministério do Trabalho e Emprego e a reforma tributária, com taxação dos mais ricos. Precisamos garantir que vamos continuar avançando para um Brasil mais justo e igual.”
Por Andressa Schpallir





