28 de Abril: Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho
O dia 28 de abril é marcado mundialmente como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho. A origem da mobilização remete a 1969, quando uma explosão em uma mina nos Estados Unidos provocou a morte de 78 trabalhadores — tragédia que motivou a instituição da data como símbolo da luta por ambientes laborais mais seguros. Em 2003, a OIT oficializou o 28 de abril como data internacional dedicada ao tema. No Brasil, a Lei nº 11.121/2005 instituiu o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, reforçando a data.
O tema central de 2026 é “Garantir ambientes de trabalho saudáveis e o bem-estar psicossocial”, alertando para o fato de que o bem-estar mental e a segurança emocional são tão cruciais quanto a proteção contra riscos físicos.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que mais de 840 mil mortes por ano em todo o mundo estão associadas a riscos psicossociais no trabalho, incluindo doenças cardiovasculares e perturbações mentais, representando custos elevados para as sociedades.
Nesta terça, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou um estudo nacional sobre acidentes de trabalho no período de 2016 a 2025. O levantamento reúne 6,4 milhões de acidentes e 27.486 óbitos em dez anos, com mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos.
O dado mais preocupante mostra que 2025 foi o pior ano da série, com 806 mil acidentes e 3.644 mortes — recordes históricos. Desde 2020, os acidentes cresceram 65,8% e os óbitos 60,8%, acompanhando a retomada econômica e a ampliação do emprego formal após a pandemia de Covid-19.
A Nova NR-1 e os Riscos Psicossociais
Os aspectos psicossociais que afetam a saúde mental do trabalhador passam a ser obrigatoriamente incluídos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) com a entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em 26 de maio. Riscos associados ao trabalho — como estresse, assédio e sobrecarga mental — precisam ser identificados e gerenciados pelos empregadores, que devem comprovar ações de medidas para proteger a saúde mental da equipe.
Entre as principais mudanças está a incorporação expressa da avaliação dos riscos psicossociais à gestão de saúde e segurança. A NR-1 passou a prever, de forma explícita, a inclusão de fatores como estresse, assédio, burnout e violência no trabalho no GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
As discussões e a implementação das alterações na norma, especialmente no que tange à inclusão obrigatória dos riscos psicossociais, arrastam-se ativamente há pelo menos três anos. A entrada em vigor da NR-1 já foi prorrogada anteriormente por pressão patronal e, atualmente, as empresas estão ao final de um período de transição de um ano, recebendo orientações necessárias.
Saúde Mental dos Trabalhadores no Ensino
A análise de estudos recentes evidencia elevada prevalência de sintomas de ansiedade, estresse e síndrome de burnout entre docentes e trabalhadores da educação. Os fatores mais associados ao adoecimento psíquico incluem sobrecarga de trabalho, baixos salários, precarização das condições laborais e violência no ambiente escolar.
A conciliação entre as demandas profissionais e familiares intensifica o adoecimento, refletindo-se em quadros de estresse crônico, ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout. O estudo evidencia a necessidade de políticas públicas contínuas que priorizem a saúde do docente.
Apesar disso, a Confenen entrou com ação pedindo ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão das sanções previstas na nova redação da NR-1, em um flagrante desrespeito aos trabalhadores e trabalhadoras em instituições de ensino.
Para a Contee, os fatores psicossociais configuram um problema de saúde pública e de trabalho, exigindo não apenas ações individuais, mas transformações sistêmicas — como valorização salarial, redução de sobrecarga e condições dignas de trabalho. Professores com múltiplas turmas, planejamentos e burocracia acumuladas, trabalhadores expostos à violência e assédio, com jornadas que extrapolam o horário de trabalho, mostram que ainda temos muito a avançar na valorização das categorias.
O 28 de abril de 2026 chega num momento-chave: o tema global da OIT sobre ambiente psicossocial e o encerramento do período educativo da NR-1 convergem para exigir que o cuidado com a saúde mental — especialmente de quem educa — saia do discurso e entre de fato na gestão das organizações.
Por Andressa Schpallir





