Contee repudia ofensiva policial contra universidades públicas paulistas

A operação policial realizada na madrugada do último domingo, 10 de maio, no campus da Universidade de São Paulo (USP), expõe a face autoritária do governo paulista que fere a autonomia universitária garantida pelo Artigo 207 da Constituição Federal. O uso de força militar para desocupar a Reitoria, ocupada pacificamente por estudantes desde o dia 7 de maio, resultou em denúncias graves de violência, incluindo a formação de um corredor polonês para agredir manifestantes com cassetetes e o uso indiscriminado de gás lacrimogêneo.

Embora os quatro estudantes detidos e levados ao 7º Distrito Policial da Lapa tenham sido libertados ainda na manhã de domingo, o trauma da repressão e a violação do espaço acadêmico permanecem como marcas de um governo que privilegia o confronto em detrimento do diálogo.

A autonomia das universidades é um princípio administrativo e salvaguarda democrática que impede que o braço armado do Estado seja utilizado para silenciar as pautas legítimas da comunidade acadêmica. As estudantes e os estudantes que se mobilizam por melhorias na moradia estudantil e contra a precarização do ensino público não podem ser tratados como casos de polícia, pois suas reivindicações são importantes para a dignidade das instituições de ensino.

Hoje, 11 de maio, estudantes da USP, da Unesp e da Unicamp voltaram a ser agredidos durante um ato unificado em frente à Reitoria da Unesp, na Praça da República, no centro de São Paulo, durante reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). A manifestação contou também com a presença de trabalhadoras e trabalhadores das três instituições, mas terminou novamente em confronto com a Polícia Militar. A resposta do Estado à mobilização legítima foi, mais uma vez, o uso da força, o que confirma que a repressão de domingo não foi um episódio isolado, mas parte de uma política deliberada do governo de São Paulo contra a educação pública.

Ao atacar o movimento grevista, o Estado atinge toda a comunidade acadêmica que constrói diariamente a excelência da universidade pública. A Contee manifesta a sua solidariedade aos grevistas e exige a apuração rigorosa das condutas policiais.

A universidade deve ser um território de livre pensamento e segurança para quem a produz, e não um campo de agressões militares que remete aos períodos mais sombrios da nossa história política. A educação brasileira não pode conviver com desrespeito à sua autonomia e sem que o direito à manifestação seja garantido sem o medo da violência estatal.

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee)

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