Cuba recebe ajuda da Colômbia para contornar bloqueio dos EUA
Um navio com ajuda humanitária enviado pela Colômbia chegou a Cuba nesta sexta-feira (12). A ilha tem sofrido com a falta de combustíveis, o que impacta os demais setores da economia, desde que os Estados Unidos ampliaram o bloqueio.
No mês passado, a vice-ministra da Saúde de Cuba, Tania Cruz, chegou a classificar a ação norte-americana como genocídio, durante a Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Suíça.
O carregamento colombiano, enviado pelo presidente Gustavo Petro, conta com mais de 100 toneladas de alimentos, medicamentos e painéis solares, fundamentais para contornar a crise energética.
O bloqueio dos EUA se intensificou desde que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi sequestrado. A principal fonte de petróleo utilizado por Cuba vinha do país. Além disso, os EUA começaram a perseguir petroleiros de outras bandeiras, entre elas russa, com destino à ilha, que tem cerca de 9,6 milhões de habitantes.
O navio saiu de Cartagena e aportou em Havana. Petro tem sido um contumaz crítico do bloqueio imposto pelos EUA. Nesse sentido, seu governo indicou que o envio de insumos considera as dificuldades enfrentadas pela ilha, incluindo catástrofes naturais e a crise energética.
Esta não é a primeira vez que o governo colombiano envia ajuda. O México, Uruguai e Belize são outros países que têm contribuído consistentemente.
No final de 2025, o furacão Melissa atingiu diversas ilhas caribenhas, causando grandes estragos em Cuba, na Jamaica e no Haiti, entre outros países. Desde então, a situação piorou e, com a intensificação do embargo, a crise ganhou novos contornos, com o país tendo que contar com a solidariedade humanitária de nações amigas. Em março, uma brigada brasileira levou solidariedade ao povo cubano.
Os envios buscam mitigar os efeitos da crise causada pelo furacão Melissa, responsável por danos significativos em infraestrutura e moradias, que ficou ainda mais trágica com o maior intervencionismo estrangeiro na soberania do país.
Reformas
Também na sexta, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciou uma série de medidas para o país enfrentar os Estados Unidos. Segundo ele, o país não está parado e trabalha formas de contornar os desafios atuais. Como observa, os EUA não perdoam que a Revolução cubana continue existindo, por isso mantém o que classifica como “agressão multidimensional” com “total desprezo e de caráter intervencionista”.
A estratégia de Cuba se concentra na otimização da defesa nacional, para proteger a população, assim como em um plano econômico e social. Conforme indica, uma grande reforma deverá ser realizada com base na escuta do povo cubano que já acontece desde o ano anterior. Um texto final será debatido na Assembleia Nacional.
O plano tem mais de vinte temas de transformação, como um conjunto de medidas e ações “para oferecer mais bens e mais serviços à nossa população, bem como para as exportações que possibilitem rendimentos”, disse Díaz-Canel.
Ele explicou que o pensamento é resolver a contradição entre centralização e descentralização, removendo, entre outros aspectos, obstáculos e promovendo a atribuição de competências. Nesta questão, ganham força a autonomia municipal e a autonomia empresarial, sendo os municípios autorizados a exportar e importar com base em sua própria produção.
De forma complementar, ainda há um conjunto de medidas para incentivar o investimento estrangeiro direto, incluindo “direitos de superfície, remoção de obstáculos, uso de contas bancárias, prazos de aprovação para investimento estrangeiro direto e agilidade nas respostas”, explicou o presidente cubano.
Por Murilo da Silva





