Israel matou 20 mil crianças em Gaza como parte de genocídio, diz ONU
Forças israelenses alvejaram menores deliberadamente, cometeram crimes de guerra e destruíram condições de sobrevivência palestina
A Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU concluiu que Israel matou deliberadamente crianças palestinas durante a guerra em Gaza e que essas ações fazem parte do genocídio em curso contra a população palestina.
O relatório, divulgado nesta terça-feira (23), afirma que as forças israelenses cometeram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra ao longo da ofensiva iniciada em outubro de 2023.
Segundo a investigação, 20.179 crianças palestinas foram mortas desde o início do conflito, o equivalente a cerca de 30% dos mais de 70 mil mortos registrados em Gaza no período. Outras 44 mil ficaram feridas.
“As evidências mostram que crianças palestinas foram deliberadamente atingidas e mortas pelas forças de segurança israelenses”, afirmou Srinivasan Muralidhar, presidente da comissão.
O documento sustenta que Israel continuou utilizando bombas e munições de alto poder destrutivo em áreas densamente povoadas mesmo após o aumento expressivo do número de vítimas infantis. Para os investigadores, a manutenção dessa estratégia demonstra que as mortes de crianças não foram resultado acidental dos combates.
A comissão também afirma que menores continuaram sendo mortos e gravemente feridos mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025.
Hospitais, fome e deslocamentos
Além dos bombardeios, a ONU aponta que a destruição da infraestrutura civil agravou drasticamente as condições de vida das crianças palestinas.
O relatório cita ataques contra hospitais, maternidades e centros de atendimento neonatal, além do bloqueio à entrada de alimentos, medicamentos e ajuda humanitária. Segundo a comissão, essas medidas contribuíram para mortes evitáveis, aumento da desnutrição e disseminação de doenças.
Os investigadores afirmam ainda que a destruição do sistema de saúde afetou diretamente recém-nascidos e gestantes, provocando aumento de abortos espontâneos e complicações médicas.
A comissão concluiu que os efeitos da guerra ultrapassam as mortes imediatas e comprometem o desenvolvimento físico, educacional e psicológico de toda uma geração de palestinos.
Tortura e violência na Cisjordânia
A investigação também documenta violações contra crianças palestinas na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.
Segundo o relatório, menores foram submetidos a prisões arbitrárias, espancamentos, privação de alimentos, desnudamento forçado e violência sexual durante detenções realizadas por forças israelenses.
A comissão registrou ainda o aumento da violência de colonos israelenses contra crianças palestinas e a destruição de escolas e instituições de acolhimento.
Por Lucas Toth




