O tarifaço — taxa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros — entrou em vigor nesta quarta (22). Arquitetada pelo sempre vassalo do imperialismo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), a taxação já é amplamente associada ao seu nome, mostrando que, se a intenção era prejudicar o presidente Lula nas eleições deste ano, o tiro saiu pela culatra.
O presidente anunciou na tarde de hoje novas medidas voltadas ao apoio a empresas brasileiras afetadas pelas tarifas comerciais. Como medida principal, Lula anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito — o “Brasil Soberano 3” — destinados a empresas afetadas pela sobretaxa e também às impactadas pela guerra no Oriente Médio. Ele também sancionou a lei que libera o “Brasil Soberano 2”, de R$ 15 bilhões, ampliando o programa criado no ano passado em resposta ao primeiro tarifaço.
Nas redes sociais, segundo um levantamento da Palver que monitorou Instagram, X e WhatsApp e foi divulgado hoje, as menções negativas ao nome de Flávio em relação ao tarifaço predominam. Já a pesquisa Quaest de 16 de julho revela que 51% dos brasileiros culpam o senador pela sobretaxa. Para 42%, o cenário aumenta a vontade de votar em Lula.
Não é para menos. É a segunda vez que o presidente tem que defender a soberania e a economia nacionais e contornar problemas causados por Jair Bolsonaro e seus filhos. Em meados de 2025, o anúncio do primeiro tarifaço se deu após articulações do clã junto ao governo estadunidense e tinha objetivo claro: pressionar o Congresso brasileiro a conceder anistia a Jair e outros golpistas. A decisão dos EUA foi celebrada publicamente pela família Bolsonaro e por membros do PL. Na época, Lula adotou uma série de medidas para proteção da economia e das empresas brasileiras, buscou novos mercados e, apesar de abrir diálogo junto aos EUA, endureceu o discurso em defesa do Brasil e não cedeu às chantagens.
Desta vez, o anúncio se deu após a visita de Flávio a Donald Trump em maio. Como se não bastasse, o senador vira latas colocou à disposição do governo norte americano sua pretensa equipe de transição caso fosse eleito. Também discursou em audiência pública em Washington defendendo o adiamento do tarifaço para depois do processo eleitoral sem ao menos dizer uma palavra em condenação às taxas injustas ou em defesa do setor produtivo e dos interesses do Brasil.
A única preocupação de Flávio é chegar ao poder, mesmo que o preço disso seja a soberania e a independência do próprio país. A estratégia, entretanto, tem surtido efeito contrário. Seu nome tem se deteriorado nas pesquisas de intenções de voto depois da aproximação a Trump e ao anúncio do já chamado TariFlávio. Ele perdeu apoio inclusive entre eleitores de direita e bolsonaristas.
Seu recente ataque às urnas eletrônicas é prova disso. Ele repetiu o discurso que tornou o próprio pai inelegível ao questionar, no fórum “Debatendo o Brasil” com representantes diplomáticos de mais de 40 países e de organizações internacionais, a segurança do sistema de votação brasileiro. O pré-candidato adere às teorias conspiracionistas porque sabe que seu desempenho está ruim, e busca, de forma antecipada, um culpado. O próprio STF vê o episódio como uma preparação para questionamentos ao resultado eleitoral, segundo reportagem do UOL.
Ao aproximar-se de Trump e validar publicamente a sobretaxa que penaliza o próprio país, o senador entregou ao presidente Lula a possibilidade de se apresentar como defensor da soberania nacional diante de um adversário que preferiu os interesses de Washington aos dos brasileiros — posição vergonhosa para quem se diz patriota.
E é justamente pelo risco dessa conta não fechar nas urnas que o comportamento de Flávio se tornou mais perigoso do que uma simples aposta eleitoral mal sucedida. Sua postura golpista e subserviente prepara o terreno para deslegitimar o processo eleitoral antes mesmo de perdê-lo.
O empresariado brasileiro que hoje recorre ao “Brasil Soberano” e às demais linhas de crédito emergenciais precisa ter clareza de quem os representa. Não há como seguir apostando as fichas no bolsonarismo — um projeto que já demonstrou, por vezes, estar disposto a sacrificar a economia e os empregos do país em troca de vantagens pessoais para o clã, servindo a uma agenda que favorece os Estados Unidos e entrega o Brasil à voracidade de Trump. Setores inteiros da produção nacional pagam a conta de um projeto de poder que despreza a soberania que deveria defender.
Enquanto isso, o governo Lula tem diante de si uma oportunidade concreta de transformar a negociação em avanço social. As mesas abertas com os empresários para tratar do socorro emergencial tornam o ambiente favorável para debater uma contrapartida legítima: o fim da escala 6×1. Se o setor produtivo recorre ao Estado para atravessar a crise gerada pelas articulações lesa-pátria dos filhos de Bolsonaro, é justo que devolva algo à sociedade que sustenta esse socorro — a começar pela vida de quem trabalha.





