Brasil convoca embaixador após ataques de Milei a Lula e Moraes
Ao convocar o embaixador brasileiro na Argentina, Itamaraty demonstra o descontentamento com as falas desrespeitosas do presidente argentino em solo brasileiro
O governo federal convocou, neste domingo (26), o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas após as ofensas do presidente Javier Milei a Lula e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Durante o ato de lançamento de Flávio Bolsonaro ao Planalto, em São Paulo (SP), no último sábado (25), o argentino proferiu ofensas ao presidente brasileiro, chamando-o de “presidiário”, assim como se referiu a Moraes como “lixo careca”, por impedi-lo de encontrar o verdadeiro presidiário, Jair Bolsonaro, em razão das restrições da prisão domiciliar. Bitelli é esperado em Brasília (DF) nesta segunda-feira (27).
A convocação do diplomata brasileiro, feita pelo Ministério das Relações Exteriores, é um gesto contundente que evidencia o desgaste das relações bilaterais, já abaladas pelo comportamento errático de Milei em relação a Lula.
Segundo a Folha de S.Paulo, a chamada do Itamaraty é considerada inédita desde a redemocratização dos dois países, nos anos 1980. Diplomatas ouvidos pelo jornal afirmam não se lembrar de medida semelhante nem mesmo durante o período das ditaduras militares, o que evidencia a gravidade da decisão do governo brasileiro em resposta à postura de Milei.
Embora o embaixador Julio Bitelli já tenha sido chamado a Brasília em 2024, naquela ocasião a reunião teve caráter administrativo. Agora, a convocação tem peso político e simboliza a insatisfação do governo Lula com a condução das relações por parte da gestão argentina, sem representar, contudo, um rompimento das relações diplomáticas.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, também chegou a se manifestar. Em nota, o magistrado afirmou que deplora manifestações de Milei, “incompatíveis com a civilidade”.
“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre o Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, disse Fachin.
Por Murilo da Silva




