Irã desmente negociações com EUA e reitera: ‘Estreito de Ormuz está fechado’
Porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, disse que Teerã é quem decide sobre momento de guerra ou paz com base em seus interesses; Exército prometeu resposta 'mais severa' a novos ataques
O Irã afirmou que as negociações com os Estados Unidos não foram retomadas, após a interrupção dos ataques norte-americanos nesta segunda-feira (27/07). Em declarações a jornalistas em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, enfatizou que não houve pedidos por parte do país, salientando que Washington encontra-se preso na situação que eles próprios criaram.
“No momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos”, disse Baqhaei, ao negar ter solicitado a abertura do diálogo. Mais cedo, o portal Axios afirmou que os Estados Unidos interromperam os ataques a Teerã, após oficiais militares norte-americanos de alto escalão expressarem preocupações sobre o estoque de munições ao presidente Donald Trump.
“Isto não é gestão de guerra. Os repetidos crimes de guerra e a ostentação dos mesmos são meras tentativas de escapar a um desastre que [os Estados Unidos] criaram sob a influência do regime sionista, e inevitavelmente pagarão o preço”, disse Baghaei.
Ele acrescentou que a Casa Branca acreditava que o Irã entraria rapidamente em colapso após o início da guerra envolvendo Washington e Israel, mas, “meses depois, os Estados Unidos estão presos nessa situação e se orgulham de seus crimes”.
Bahaei também mencionou que Washington retorna à mesa de negociações sempre que os preços globais da energia aumentam. “Os norte-americanos estão enfrentando dificuldades em sua situação atual, eles causaram isso. Eles fizeram isso e agora estão presos nessa situação”, reiterou.
“Nossa decisão [sobre a guerra] depende e se baseia em nossos interesses nacionais. Não permitiremos que os Estados Unidos determinem por nós o momento da guerra ou da paz, nós nos defenderemos pelo tempo que for necessário”, declarou.
Irã nega ter pedido retomada de negociações com EUA e reitera fechamento de Ormuz
IRNA
Ataque à navio iraniano pela Ucrânia
Baghaei também condenou veementemente o ataque ucraniano a um navio iraniano no Mar Cáspio, ocorrido no último sábado (25/07), e que levou à morte de um tripulante. Segundo ele, “o comportamento do [líder] ucraniano [Vladimir Zelenskyy] lembra o dos anarquistas, que antes da Primeira Guerra Mundial realizavam ações ostensivas e extremamente perigosas, cujas consequências afetaram toda a Europa”.
“Não se pode ter certeza de que uma ação ostensiva, destinada a atrair atenção e projetar uma imagem de importância, limita-se a isso. É muito provável que suas consequências sejam imprevisíveis para vocês mesmos e que suas mensagens tenham impacto em toda a região envolvida”, disse, referindo-se às partes envolvidas na guerra da Ucrânia.
Ele descreveu a ofensiva como “absolutamente ilegal, injustificada e contrária à Carta das Nações Unidas”. “É uma aventura perigosa que certamente não ficará impune”, advertiu, ressaltando ser “imperativo que todas as partes que se considerem, de alguma forma, defensoras e apoiadoras do regime ucraniano sejam responsabilizadas neste assunto.”
Ormuz permanece fechado
O porta-voz iraniano relatou que Irã e Omã mantiveram, na sexta-feira (24/07) e no sábado (25/07), conversas sobre a situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo. “Houve discussões úteis sobre como gerir a navegação”, afirmou, reiterando que “a situação no Estreito de Ormuz não mudou; permanece fechado e essas negociações não têm nada a ver com os Estados Unidos”.
Segundo a mídia iraniana, na madrugada desta segunda-feira (27/07), seis navios foram impedidos de prosseguir ou se envolveram em acidentes no Estreito de Ormuz após tentarem navegar por uma rota não autorizada, com sistemas de rastreamento desligados. Uma delas sofreu um acidente, enquanto as demais retornaram ao Golfo sob “gestão decisiva iraniana”.
O Exército iraniano também se pronunciou, afirmando que continuará defendendo a ‘independência e integridade territorial’ do país, e que responderá “com mais severidade” a eventuais novos ataques de seus adversários. Em comunicado, a corporação disse estar “mais vigilante do que nunca” e preparada para enfrentar “qualquer ameaça e conspiração dos inimigos”.
Houthis mantêm pressão
O movimento Houthi, por sua vez, informou que o bloqueio naval às exportações sauditas continuam, enquanto o tráfego pelo Estreito de Bab al-Mandeb diminuiu após os ataques realizados pelo grupo ao longo da costa do Mar Vermelho.
Em declaração à agência iemenita Saba, o vice-ministro das Relações Exteriores ligado aos houthis, Abdulwahid Abu Ras, disse que a Arábia Saudita não conseguiu atingir seus objetivos no Iêmen ao depender dos Estados Unidos e que também fracassará caso recorra a “mercenários e ferramentas locais”.
Os Estados Unidos, com toda a sua arrogância, falharam em tentativas anteriores de alcançar seus objetivos de subjugar o povo iemenita, mas o regime saudita não aprendeu a lição”, afirmou. Ele também advertiu que a insistência de Riad em manter o cerco ao Iêmen, “confiscando suas riquezas e destruindo seu tecido social”, terá efeito contrário ao pretendido sobre a economia saudita.
O tráfego marítimo no Mar Vermelho está interrompido desde a semana passada, após o anúncio do bloqueio pelo movimento.





