ONU condena ataque de Israel a centro educacional da UNRWA e exige ‘desocupação’

Forças israelenses invadiram complexo em Jerusalém Oriental onde refugiados palestinos recebiam treinamento para formação profissional, interrogaram funcionários e demoliram estrutura

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou na noite desta terça-feira (25/08) a invasão “ilegal” das autoridades israelenses no Centro de Treinamento Qalandiya, complexo educacional que faz parte da Agência da ONU para Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês), localizado em Jerusalém Oriental ocupada.

“O Secretário-Geral condena com a mais forte veemência as ações de hoje das autoridades israelenses, incluindo forças de segurança, para entrar e permanecer ilegalmente no Centro de Treinamento da UNRWA Kalandia [Qalandiya] em Jerusalém Oriental ocupada e realizar trabalhos não autorizados nessas instalações”, afirma o comunicado emitido pelo porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric.

Sob ordem do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e coordenação do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, quatro veículos armados e cerca de 50 membros das forças de segurança israelenses invadiram as instalações da ONU no mesmo dia, enquanto dezenas de funcionários do órgão internacional estavam dentro. A operação ocorreu no bairro palestino de Kafr Aqab, que Israel considera parte de seu território.

Assim que invadida, uma bandeira israelense foi hasteada no local, de acordo com a agência. Já conforme a mídia oficial palestina, cerca de 40 pessoas foram detidas e interrogadas antes que as forças israelenses começassem a demolir parte da estrutura.

A evacuação ocorreu meses após o Parlamento israelense do Knesset aprovar a retirada da imunidade da UNRWA, ordenar a expropriação de suas instalações em Jerusalém Oriental e cortar seus suprimentos.

A nota da ONU classifica as ações israelenses contra instalações da agência como “totalmente inaceitáveis” e “incompatíveis com as obrigações claras de Israel” sob o direito internacional, alertando que elas podem eventualmente privar os jovens palestinos da educação profissional.

“O Secretário-Geral insta o Governo de Israel a cessar imediatamente a interferência nas instalações da UNRWA, desocupar, devolver e restaurar todas as instalações afetadas às Nações Unidas sem demora, e proteger essas instalações contra novas interferências ou danos”, diz o comunicado da ONU.

O coordenador especial interino da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, também reagiu e instou o regime sionista a cessar todas as ações contra propriedades do organismo internacional.

“O Centro de Treinamento de Kalandia é uma instalação de propriedade da ONU e é inviolável e imune a qualquer forma de interferência”, disse Alakbarov em comunicado, alertando que a tomada do centro educacional deixou 340 jovens refugiados palestinos da Cisjordânia sem acesso à educação.

“A entrada de forças de segurança armadas em uma instalação das Nações Unidas, sem a autorização e consentimento da ONU, é inaceitável”, enfatizou Alakbarov.

O Centro de Treinamento de Kalandia, fundado em 1952, é o mais antigo da rede de formação profissional da UNRWA. Atualmente ele oferece 16 especialidades, que incluem eletromecânica, mecatrônica automotiva, carpintaria, alvenaria, telecomunicações e design de interiores, entre outras.

Todos os anos, cerca de 340 jovens refugiados palestinos recebem treinamento neste centro, onde desenvolvem habilidades e capacidades que facilitam sua empregabilidade e melhoram suas perspectivas.

Fonte
Opera Mundi

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