Expandir a educação profissional é enfrentar a desigualdade e defender a soberania
Ampliar a rede pública de educação profissional, científica e tecnológica é uma política concreta para enfrentar desigualdades regionais e abrir oportunidades à juventude brasileira. É nesse contexto que a expansão dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) volta ao centro do debate nacional, a poucos dias do primeiro turno das eleições.
No sábado, 26 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Leonardo Barchini, assinaram em São Paulo, no campus Cidade Tiradentes do IFSP, a autorização de funcionamento de 19 novas unidades em 12 estados. A Portaria MEC nº 733 foi publicada no Diário Oficial da União em 29 de setembro. Com ela, chega a 92 o número de campi autorizados desde 2023.
A expansão chega também às periferias e regiões metropolitanas, com campi autorizados em Jaçanã, Franco da Rocha e Serrana, em São Paulo, e em Belo Horizonte, além de cidades como Canarana (MT) e Girau do Ponciano (AL). Em várias unidades, como Franco da Rocha, Jaçanã, Serrana e Belo Horizonte, o funcionamento começará em caráter temporário, à espera de sedes definitivas.
Os Institutos Federais integram educação básica, formação profissional e tecnológica, cursos superiores, pesquisa aplicada, inovação e extensão, articulando sua atuação às características econômicas, sociais e culturais de cada território. Essa combinação permite aproximar formação, produção de conhecimento e desenvolvimento regional, criando condições para que a educação pública amplie oportunidades de trabalho e renda e reduza desigualdades.
Há também uma dimensão estratégica. Formar técnicos, tecnólogos, engenheiros e pesquisadores em diferentes regiões amplia a capacidade do país de responder às transformações do mundo do trabalho, de agregar valor aos seus recursos e de reduzir a dependência tecnológica. Educação profissional não é apenas preparação para o mercado: é política de desenvolvimento, ciência, inovação e soberania.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e a eleição também colocará em debate os rumos dessa política. Por essa razão, defendemos a reeleição do presidente Lula: a expansão depende de orçamento e de decisão política, e a continuidade dessa política pode ser determinante para que os campi autorizados avancem da autorização para a implantação. Seguiremos cobrando financiamento permanente e valorização de quem faz a educação pública todos os dias.
O que está em jogo é a possibilidade de que jovens de lugares como Jaçanã, Franco da Rocha, Canarana e Girau do Ponciano tenham acesso próximo a uma instituição pública capaz de oferecer formação, ciência, tecnologia e novas oportunidades. E é também a capacidade de o Brasil formar as pessoas e produzir o conhecimento de que precisará para decidir seu próprio caminho no século XXI.
Defender a educação pública é defender um projeto de país capaz de transformar conhecimento em desenvolvimento, desenvolvimento em direitos e direitos em uma vida melhor para a maioria da população.
Por Antônia Rangel



