Cuba acusa EUA de genocídio em discurso comemorativo da Revolução
Miguel Díaz-Canel denuncia o bloqueio como crime contra a humanidade, expondo a escassez de remédios e alimentos imposta deliberadamente ao povo
Durante as solenidades de aniversário da Revolução Cubana, o presidente Miguel Díaz-Canel elevou o tom de sua denúncia contra Washington, classificando o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos não como uma simples sanção, mas como um ato deliberado de “genocídio” e crime de lesa-humanidade. Em discurso contundente, o líder cubano detalhou como a política de asfixia financeira e comercial visa provocar o colapso social da ilha, punindo coletivamente uma população que há mais de seis décadas resiste à hegemonia norte-americana.
Diante de milhares de pessoas reunidas em ato oficial, o chefe de Estado afirmou que o objetivo das sanções é provocar escassez, aprofundar dificuldades econômicas e estimular a instabilidade política interna, reiterando que Cuba continuará resistindo às pressões externas.
A declaração ocorre em um momento particularmente delicado para a economia cubana, que enfrenta inflação elevada, escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis, dificuldades na geração de energia elétrica e redução das receitas obtidas com turismo e exportações.
Saúde e alimentação sob ataque
Havana sustenta que o bloqueio ultrapassa o âmbito de uma disputa comercial e constitui uma forma de guerra econômica destinada a impedir o desenvolvimento do país. Cuba encontra amplo respaldo diplomático na condenação ao bloqueio. Há mais de três décadas, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova, com maioria expressiva, resoluções que pedem o fim das sanções unilaterais impostas por Washington.
Os efeitos perversos do bloqueio são visíveis nos hospitais e nas prateleiras vazias de Cuba. A restrição sistemática à importação de insumos médicos, equipamentos de diagnóstico e medicamentos pediátricos configura uma violação direta e cruel do direito à vida. Organizações internacionais já documentaram como as sanções extraterritoriais, a exemplo da Lei Helms-Burton, intimidam bancos e empresas de terceiros países a cortar relações com Havana. Isso agrava drasticamente a escassez de alimentos e combustíveis, transformando necessidades básicas em privilégios e afetando desproporcionalmente crianças, idosos e doentes crônicos.
A hipocrisia do “embargo” humanitário
Apesar da retórica de Washington sobre suposto “apoio ao povo cubano”, a realidade no terreno desmente qualquer intenção humanitária. O bloqueio impede a modernização da matriz energética e a manutenção da infraestrutura pública, gerando apagões constantes e paralisia no transporte. Díaz-Canel enfatizou que a comunidade global deve reconhecer que sufocar uma nação soberana por vias econômicas é uma forma moderna de genocídio, tão letal e devastadora quanto um conflito armado convencional.
O discurso presidencial também reafirmou a Revolução Cubana como símbolo de soberania nacional. Díaz-Canel exaltou a resistência do povo cubano diante das dificuldades econômicas e afirmou que a preservação da independência do país continua sendo prioridade estratégica. Segundo ele, as reformas econômicas em andamento procuram preservar as conquistas sociais da Revolução, especialmente nas áreas de saúde, educação e ciência, ao mesmo tempo em que buscam aumentar a produção nacional e atrair investimentos.
Resistência e clamor por justiça global
Ao reafirmar a soberania da ilha, o discurso cubano ecoou o clamor de nações do Sul Global que, ano após ano, votam esmagadoramente na ONU pela retirada imediata e incondicional do bloqueio. A persistência dos EUA em manter essa política anacrônica revela o fracasso histórico de suas tentativas de subjugação. Enquanto Cuba busca parcerias solidárias para mitigar os danos, a acusação de genocídio serve como um alerta: a impunidade de Washington em violar direitos humanos fundamentais não pode mais ser normalizada.
A ilha busca ampliar parcerias comerciais e financeiras com países como China, Rússia, Vietnã e integrantes do BRICS, além de estimular investimentos estrangeiros em setores considerados estratégicos. A combinação entre resistência política, diversificação das relações internacionais e reformas graduais permanece no centro da estratégia cubana para enfrentar um dos períodos mais difíceis desde o fim da União Soviética.
Por Cezar Xavier




