Desequilibrado, Milei volta a chamar Lula de “ladrão” e reaquece crise diplomática com Brasil
Presidente argentino reiterou ataques, levando Itamaraty a convocar embaixador argentino em Brasília e a chamar o representante brasileiro em Buenos Aires para consultas
Javier Milei voltou a demonstrar o já conhecido desequilíbrio emocional e atacou, novamente, o presidente Lula (PT), neste domingo (2), em entrevista à emissora argentina LN+, chamando-o de “ladrão” e “corrupto”. Ele também questionou as decisões judiciais que anularam suas condenações na Operação Lava Jato.
A reincidência dos ataques aprofundou a crise diplomática entre Brasil e Argentina e provocou resposta imediata do governo brasileiro, que convocou o embaixador argentino e chamou seu próprio representante em Buenos Aires para consultas.
Na entrevista à LN+, Milei foi direto: “Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”. O presidente argentino reforçou a falsa narrativa de que a absolvição do petista teria sido resultado de um vício processual, e não de mérito.
As declarações deste domingo (2) não surgiram do nada. Elas se inserem num padrão de ataques reiterados que Milei vem fazendo ao presidente brasileiro, agravando progressivamente a tensão entre os dois governos.
Reação diplomática do Brasil
A resposta do governo brasileiro foi imediata e formal. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar o descontentamento oficial com as declarações. Ao mesmo tempo, o Itamaraty chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, sinalizando que a situação exige avaliação em nível mais alto.
Em nota, o governo brasileiro classificou o episódio como um acontecimento “sem precedentes”. O chanceler Mauro Vieira reconheceu a gravidade do caso, mas descartou, por ora, medidas mais duras, como a retirada definitiva de representantes diplomáticos.
A postura indica uma tentativa de conter o dano sem romper os canais bilaterais, ainda que a crise já tenha atingido um patamar incomum nas relações entre os dois países vizinhos.
Contexto dos ataques anteriores e a postura de Lula
Os ataques deste domingo (2) repetem o que Milei já havia dito na semana passada. Durante evento político em São Paulo para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente argentino chamou Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”, numa intervenção direta na política eleitoral brasileira.
A reação de Lula evoluiu ao longo dos dias. Num primeiro momento, o presidente brasileiro respondeu com ironia ao ser questionado por jornalistas: “Quem é esse cara?”.
Depois, endureceu o tom e classificou a participação de Milei no evento do Partido Liberal como uma “patacoada”, afirmando que não aceitará interferências externas no processo político do país.





