Dia Nacional do Documentário Brasileiro

Uma data para valorizar a memória e a verdade

A dica cultural da semana é sobre o Dia Nacional do Documentário Brasileiro, celebrado em 7 de agosto. A data foi instituída pela Associação Brasileira de Documentaristas (ABD) em homenagem ao cineasta Olney São Paulo, nascido em 7 de agosto de 1936, precursor do documentário no Brasil e vítima da repressão durante a ditadura militar, período em que foi preso e torturado.

O documentário brasileiro tem uma história de resistência e compromisso com a verdade. O gênero cumpre papel na preservação da memória histórica, na denúncia de violações de direitos e na valorização de vozes e realidades frequentemente invisibilizadas. É por meio dele que muitas histórias de trabalhadoras e trabalhadores, de comunidades e de lutas sociais ganham visibilidade e permanecem vivas na lembrança coletiva. Ao contrário da ficção, o documentário trabalha com fatos, arquivos históricos, entrevistas e a observação direta da realidade para compor narrativas que estimulam o pensamento crítico.

Para quem deseja conhecer ou aprofundar o contato com essa produção, três obras dirigidas por diretoras mulheres oferecem um percurso pela memória e pela resistência.

Que Bom Te Ver Viva (1989), de Lúcia Murat, é um marco do documentário nacional. A diretora, ela própria ex-presa política e torturada durante a ditadura, reúne os depoimentos de oito ex-presas políticas sobre como enfrentaram a tortura e a prisão, em uma obra que mistura documentário e drama e permanece referência nos estudos sobre ditadura e gênero.

Repare Bem (2012), dirigido por Maria de Medeiros e idealizado pela diretora e atriz Ana Petta, narra a saga de Denise Crispim, companheira do guerrilheiro Eduardo Leite, o Bacuri, morto em 1970 após 109 dias de tortura. O filme acompanha três gerações de mulheres atingidas pela repressão, foi vencedor do Kikito de melhor filme no Festival de Gramado de 2013 e reafirma o papel das mulheres na resistência e na reconstrução da memória.
Já Democracia em Vertigem (2019), de Petra Costa, indicado ao Oscar de Melhor Documentário e vencedor do Prêmio Peabody, investiga a crise política brasileira, do impeachment à ascensão do autoritarismo, e alerta para a fragilidade da democracia décadas depois dos anos de chumbo.

Neste 7 de agosto, a dica cultural é dedicar um tempo para assistir a um documentário brasileiro, conhecer a história do país por outros ângulos e fortalecer o compromisso com a memória, a verdade e a justiça social.

Onde encontrar

Que Bom Te Ver Viva (1989), direção de Lúcia Murat. Documentário, 97 min. Disponível gratuitamente no YouTube. Também disponível por assinatura na Reserva Imovision+, na Amazon Prime Video e na Apple TV.

Repare Bem (2012), direção de Maria de Medeiros, idealização de Ana Petta. Documentário, 95 min. Disponível gratuitamente no YouTube, no canal oficial Filmes Projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos, em quatro partes. Democracia em Vertigem (2019), direção de Petra Costa. Documentário, 121 min. Disponível na Netflix.

Por Antônia Rangel

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