Lula cobra “plano ousado” de financiamento para a ciência em reunião da SBPC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na noite desta terça-feira (28), da cerimônia de abertura da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Espaço Cantareira, em Niterói (RJ). É a primeira vez que o evento, considerado o maior encontro científico da América Latina, acontece no município, que se transformou, ao longo da semana, na “capital da ciência” do país.
A Reunião Anual da SBPC começou no domingo (26) e segue até 1º de agosto, no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), reunindo cerca de 50 mil pessoas entre pesquisadores, professores, estudantes e gestores de ciência e tecnologia. A programação tem o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão” e reúne mais de 300 conferências, mesas-redondas, sessões especiais e minicursos, com diálogos sobre soberania tecnológica, financiamento da ciência, mudanças climáticas, inteligência artificial e saúde pública.
Dias antes do evento, em visita à sede da SBPC em São Paulo, Lula já havia se reunido com representantes da comunidade científica, entre eles a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ocasião em que cobrou das entidades “um projeto de ciência que seja convincente para a sociedade”. A demanda não é nova: em 2008, na sede da SBPC, Lula já havia pedido às organizações uma lista dos entraves ao desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da educação no país. A iniciativa resultou, anos depois, na Proposta de Emenda à Constituição 290/13 e, em 2015, na promulgação da Emenda Constitucional nº 85, que incorporou a inovação ao capítulo de Ciência e Tecnologia da Constituição.
Em seu discurso em Niterói, Lula defendeu que o Brasil precisa investir cada vez mais em ciência e inovação para garantir soberania, desenvolvimento e inclusão social, ao lado da ministra Luciana Santos e da presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia:
“Se a gente for discutir pesquisa, ciência e tecnologia, a partir do orçamento que a gente tem, a gente não vai ter investimento em pesquisa.”
O presidente defendeu a construção de um plano de longo prazo para o setor, com metas para os próximos dez anos, citando como prioridades a inteligência artificial, os minerais estratégicos e a nova indústria, e reforçou que esse investimento deveria ser tratado como política de Estado, e não como bandeira de um governo ou partido específico. Voltado à presidente da SBPC, pediu que a entidade lhe entregue “o mais urgente possível” o plano de ciência e tecnologia aprovado pela comunidade científica, para que possa entrar no programa de governo.
Lula estava acompanhado dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), do ministro da Educação, Leonardo Barchini, do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e do reitor da UFF, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega.
Durante o evento, a ministra Luciana Santos apresentou a nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI 2024-2034), que estabelece quatro metas: elevar os investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento para 2% do PIB até 2034; assegurar previsibilidade orçamentária, especialmente via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT); reduzir dependências tecnológicas críticas; e fortalecer a integração entre ciência e setor produtivo. A ministra também citou a marca de R$ 55 bilhões investidos no setor nos últimos três anos e meio, com mais R$ 30 bilhões a caminho.
A Reunião Anual da SBPC historicamente tem sido também um espaço de pressão por financiamento público da ciência e da educação, pauta que dialoga diretamente com a defesa, feita por entidades das trabalhadoras e trabalhadores da educação, de que não há desenvolvimento científico sem valorização de quem ensina e pesquisa nas universidades do país.
Por Antônia Rangel





