Menino morto em São Paulo reacende debate sobre educação como elemento transformador da sociedade

Na última quinta-feira (2) um menino de 10 anos foi assassinado pela Polícia Militar de São Paulo.
A Contee vem a público denunciar a ideologia do “extermínio do mal”, que vem ganhando cada dia mais adeptos em nosso país. A entidade luta por uma educação inclusiva e por uma sociedade justa, que tire os negros, os pobres e os excluídos de uma vida ser perspectivas. Que deixemos de ser uma sociedade que combate a miséria que gera a violência com repressão policial e possamos investir na educação para um futuro melhor.
Compartilhamos o texto que a jornalista Renata Mielli publicou em seu facebook:
Um nó na garganta e as lágrimas vieram. Indignação, compaixão e dor. Foi o que senti ao ler a reportagem de Leandro Machado e Mariana Zylberkan na Folha de S.Paulo agora no café da manhã. Queria ter podido amparar a Cíntia, mãe do menino Italo, e impedir que ela caísse no chão. Ou estar ali para ajudar ela se levantar.
Não há nada que justifique a morte de Italo. NADA.
Desde ontem estou arrasada com o que aconteceu e indignada por ver pessoas achando que o menino mereceu morrer, afinal roubou. E mais, que a mãe ainda deve pagar pelos danos do carro.
Sim, vi isso na minha timeline.
E o pior é que tem muita gente que pensa assim. Ladrão tem que morrer. E este menino, que já tinha passagem na polícia, pai condenado por tráfico e mãe que já cumpriu pena por roubo, ia pelo mesmo caminho dos pais. Ou seja, a polícia fez foi um favor à sociedade eliminando mais um bandido das ruas.
São muitos Italos e Cíntias pelo Brasil. São muitas crianças, homens e mulheres que ainda vivem sem perspectiva, sem recursos, sem nada. Vivem nas favelas, à mercê das piores condições de moradia, sob a constante ameaça das inundações, desabamentos e incêndios. O próprio Italo já teve seu barraco incendiado duas vezes.
A ideologia do extermínio do “mal” é crescente na nossa sociedade. A classe média é uma das principais porta-vozes deste pensamento de higienização social.
O Italo e a Cintia ganharam nomes e histórias, mas fazem parte de uma estatística alarmante: de uma sociedade que combate a miséria e a exclusão que geram a violência com repressão policial.
E eu volto 19 anos no tempo e vejo com tristeza como a campanha que criamos, quando eu fui presidente estadual da UJS de São Paulo, em 1997, continua ainda atual: Chega da Polícia que Mata.





