O Lula que não interessa à Globo: o da maior geração de empregos da história

Brasil chega a 103,3 milhões de pessoas ocupadas, desemprego cai a 5,3% e emprego com carteira bate recorde, mas resultados do mercado de trabalho ficaram fora da entrevista-interrogatório do Jornal Nacional

Há um Lula que praticamente não apareceu na entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (27): o Lula de um Brasil que alcançou a maior população ocupada já registrada, reduziu o desemprego a 5,3% e chegou ao recorde de 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado.

Os números do mercado de trabalho mostram uma transformação importante na realidade econômica e social brasileira. No trimestre encerrado em julho, a população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica iniciada em 2012. Em apenas três meses, houve crescimento de 1% no número de brasileiros trabalhando.

Nada disso, porém, ocupou espaço relevante na entrevista-interrogatório conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos. Durante boa parte da sabatina, Lula foi confrontado com investigações, denúncias e suspeitas envolvendo terceiros, enquanto um dos indicadores mais diretamente relacionados à vida cotidiana dos brasileiros ficou fora do centro da conversa: o emprego.

Desemprego cai a 5,3%

A taxa de desocupação brasileira caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, recuo de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre terminado em abril.

O contingente de brasileiros desempregados caiu 8% em apenas um trimestre, chegando a 5,8 milhões de pessoas.

Ao mesmo tempo, a força de trabalho brasileira alcançou 109,2 milhões de pessoas, também o maior número da série histórica, com crescimento de 0,5% no trimestre.

Os dados revelam, portanto, um mercado de trabalho que conseguiu simultaneamente incorporar mais pessoas à força de trabalho, aumentar o contingente de ocupados e reduzir o número de desempregados.

Era um assunto evidente para uma entrevista presidencial em plena campanha eleitoral. Não foi, entretanto, um dos temas centrais escolhidos pelo Jornal Nacional.

Brasil nunca teve tanta gente trabalhando

O dado de 103,3 milhões de ocupados possui um significado histórico: desde o início da série, em 2012, nunca houve tantos brasileiros trabalhando.

Também foi alcançado um recorde entre os trabalhadores formalizados. O número de empregados com carteira assinada no setor privado chegou a 39,4 milhões, maior patamar da série histórica.

Os números ajudam a dimensionar uma das principais mudanças ocorridas no mercado de trabalho durante o atual governo Lula. Emprego significa renda, consumo, segurança econômica para as famílias e maior capacidade de planejamento.

Até o desalento está diminuindo

Outro indicador importante é o número de brasileiros desalentados — pessoas que gostariam de trabalhar, mas deixaram de procurar emprego por diferentes razões.

Esse contingente caiu 9,7% no trimestre, chegando a 2,3 milhões de pessoas.

A taxa de subutilização da força de trabalho também recuou. Passou a 13%, queda de 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

O indicador considera não apenas os desempregados, mas também outras situações em que o potencial de trabalho da população não está sendo plenamente utilizado.

A combinação de desemprego menor, ocupação recorde, redução do desalento e queda da subutilização compõe um retrato muito mais amplo do mercado de trabalho brasileiro.

Renda cresce 3,3% em um ano

O rendimento real habitual dos trabalhadores chegou a R$ 3.762. O valor ficou estável na comparação trimestral, mas apresentou crescimento real de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ou seja: não apenas mais brasileiros estão trabalhando, como a renda média do trabalho também avançou na comparação anual.

Entre os setores que contribuíram para a expansão da ocupação, destacaram-se a construção civil, com crescimento de 5,1%, e o segmento de transporte, com alta de 5,4%.

Os serviços domésticos caminharam na direção oposta e registraram redução de 4% no número de trabalhadores.

O Brasil real ficou fora da entrevista-interrogatório

O conjunto desses indicadores deveria ocupar posição central em qualquer entrevista com um presidente que disputa a reeleição.

Afinal, poucas questões têm impacto tão direto sobre a vida das famílias quanto saber se existem empregos, quanto os trabalhadores estão ganhando e se o país consegue oferecer oportunidades para quem procura trabalho.

Mas esse Lula — o presidente de um país com 103,3 milhões de pessoas ocupadas e 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado — praticamente não interessou ao Jornal Nacional.

A entrevista privilegiou durante boa parte de seus 40 minutos uma sucessão de questionamentos sobre investigações, suspeitas e personagens associados ao entorno do governo.

O resultado foi uma espécie de entrevista-interrogatório na qual a discussão sobre aquilo que acontece na economia real perdeu espaço.

Emprego também é uma escolha política

Os números do mercado de trabalho são particularmente relevantes porque emprego não é apenas uma estatística econômica. É uma das principais formas pelas quais uma política econômica chega à vida concreta das pessoas.

Ao deixar esses números praticamente fora da entrevista, o Jornal Nacional deixou igualmente fora da conversa uma dimensão fundamental para que o eleitor avalie o atual governo.

Uma eleição presidencial deveria permitir exatamente essa comparação: como estava o país, como está agora e quais propostas cada candidato apresenta para o futuro.

O Lula que os números revelam

Lula afirmou durante a própria entrevista que recebeu um país desmontado e que tem consciência do trabalho realizado desde que retornou ao Palácio do Planalto.

Os indicadores do mercado de trabalho são parte essencial desse balanço.

Há problemas que permanecem, entre eles o crescimento do trabalho sem carteira e a persistência da informalidade. Mas os números mostram um mercado de trabalho significativamente aquecido.

Esse é um dos debates fundamentais da eleição presidencial: quem consegue oferecer trabalho, renda e perspectivas aos brasileiros.

E esse foi justamente o Lula que ficou praticamente ausente da entrevista-interrogatório da Globo: o Lula do maior número de brasileiros trabalhando já registrado na história da série estatística do país.

Fonte
Brasil247

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